O São Paulo não pode voltar para a estaca zero após a demissão de Aguirre

O São Paulo não pode voltar para a estaca zero após a demissão de Aguirre

Garantir vaga na Libertadores, motivo para explicar a demissão do treinador, não quer dizer ter uma boa temporada

Robson Morelli

13 de novembro de 2018 | 14h02

Foi difícil engolir tudo o que o Raí disse em sua entrevista para explicar a demissão de Diego Aguirre do São Paulo. Estava bastante incomodado de ter dar as explicações, mas ele estudou para isso quando deixou de ser jogador, um dos melhores que vi em ação. Dentre as coisas que disse, admitiu que a direção do clube começou a avaliar Aguirre nas últimas dez rodadas, ora, justamente, quando o São Paulo estava na ponta da tabela. Então, começaram a sacar que Aguirre não era o cara quando o treinador liderava o Nacional.

 

Também disse que Nenê não teve influência nenhuma no episódio. Duro de acreditar. Nosso repórter-fotográfico Nilton Fukuda registou no treinamento de ontem uma cena no mínimo provocativa (a Aguirre), quando Diego Souza e Liziero faziam reverência a André Jardine, o novo técnico interino do São Paulo. Aguirre foi demitido também porque perdeu o vestiário. Domingo, antes do anúncio da demissão, uma reunião entre os dirigentes do clube já havia sacramentado a saída do treinador. Ele não ficaria.

Aguirre, no entanto, não deve assumir toda a responsabilidade pela má fase do São Paulo nessa reta final de temporada. O elenco também pisou na bola. Não tem ninguém jogando bem, ou todos estavam jogando contra o treinador. Com 11 contra 10 diante do Corinthians durante o segundo tempo inteiro, nada aconteceu. Se um dia algum desses jogadores admitir isso, será uma dessas traições vergonhosas do nosso futebol. La atrás também a diretoria resolveu vender os melhores jogadores para fazer caixa. Então, enfraqueceu o time.

Este São Paulo, com todos os seus defeitos, é muito melhor do que o São Paulo que Aguirre assumiu. Voltar para a estaca zero seria uma burrice de seus dirigentes. É preciso pensar o time daqui pra frente. Meus amigos são-paulinos, por fim, acham que Nenê teve sim participação em tudo isso. Se teve, será uma pena. Se teve e a diretoria se dobrou, foi um erro. Por fim, o isolamento de Raí na entrevista, sozinho, sem seus pares (Lugano e Ricardo Rocha), deverá provocar mais mudanças no clube.

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