O São Paulo seria bom para Dunga, mas ele não está preparado para o futebol brasileiro

Robson Morelli

15 de julho de 2011 | 18h32

O risco de convidar Dunga para assumir o comando do São Paulo era ouvir NÃO de um treinador que tem como experiência apenas a Seleção Brasileira, cujo desfecho foi a derrota para a Holanda em 2010. Ou seja, Dunga é um treinador que começou por cima. Não sabe o que é formar um elenco, e depois um time, com jogadores medianos, alguns bons de bola e um ou outro craque. É vida dura.

Ocorre que Dunga jamais vai estar pronto para encarar um clube em São Paulo ou Rio, onde a paciência do torcedor é mais curta e se torna curtíssima com comandantes em começo de carreira. Dunga tem a oferecer a Copa América (2007) e a Copa das Confederações (2009), seus dois títulos. O problema é que na primeira lambança (e técnico faz lambança sim) ele vai ouvir os tradicionais xingamentos e aí não se sabe o que pode acontecer.

Lembro-me que em Minas Gerais, num Brasil 0 x 0 Argentina, Dunga foi chamado de ‘jumento” pela torcida. Foi trágico para ele. Dunga é um sujeito magoado com seu País. Não tolera jornalistas nem torcedores nem ninguém que não seja próximo. E ninguém me tira da cabeça que ele é assim porque foi crucificado na Copa de 1990, quando ainda era um menino. Aquilo já passou e ele próprio ergueu a taça em 1994, nos Estados Unidos. Mas nem isso diminuiu seu rancor.

Jorginho, seu auxiliar na África do Sul, disse ao JT que ele deve ir para fora do Brasil. “Seria melhor para ele”.  Sua rejeição, acredito, é enorme. O São Paulo estava disposto a bancar Dunga. E seria bom para ele também, principalmente pela estrutura do clube. Dunga aprenderia muito. Preferiu dizer NÃO.

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