O ‘todos sabem como nos sentimos’, de Casemiro, virou um ‘nunca deixaremos a seleção’, de Marquinhos

O ‘todos sabem como nos sentimos’, de Casemiro, virou um ‘nunca deixaremos a seleção’, de Marquinhos

Tudo acabou com um 'manifesto' infantil dos atletas soltado nas redes sociais após a vitória diante dos paraguaios. Alguns jogadores fizeram a manifestação por obrigação, porque logo depois trataram de divulgar assuntos outros nada a ver com os episódios da semana

Robson Morelli

09 de junho de 2021 | 09h49

A geração de Casemiro e Marquinhos, os dois capitães escolhidos por Tite para comandar a seleção brasileira em jogos contra Equador e Paraguai pelas Eliminatórias, mas também numa semana em que a CBF ardeu em chamas, seu presidente foi afastado por acusação de assédio sexual e moral e os jogadores ensaiaram um motim contra a Copa América no Brasil, entrou para a história. Eles estiveram à frente nas entrevistas, ao menos, do que seria um movimento pró-Tite, sem Rogério Caboclo e pelo Brasil que morre de pandemia. Seria. Não foi. Acabou como um ‘manifesto’ infantil dos próprios atletas soltado nas redes sociais após a boa vitória diante dos paraguaios. Alguns jogadores fizeram a manifestação por obrigação, porque logo depois trataram de divulgar assuntos outros nada a ver com os episódios da semana. Culparam os jornalistas, que ‘inventaram’ todo o desconforto.

Foto: CBF

Isso diz muito desse elenco. A era Neymar, assim como a era Dunga, entrou para a história nesta terça-feira. Poderia ser também a era Tite. O ponto mais forte da manifestação foi dizer que “estamos insatisfeitos com a condução da Copa América pela Conmebol, fosse ela sediada totalmente no Chile ou mesmo no Brasil.” Eles não entenderam nada do que estava acontecendo. Nada falaram de pandemia, mortes por covid-19, risco de contaminação, falta de vacina, uso político de suas imagens… Os jogadores não falaram nada disso. Nem o técnico Tite, que se disse sabedor de tudo o que estava acontecendo.

Esse grupo da seleção brasileira perdeu a chance de se igualar aos jogadores do NBA, quando pararam tudo e disseram ‘não’ aos racismo nos Estados Unidos ou mesmo a outros esportistas importantes, como o piloto de Fórmula 1 Lewis Hamilton, sete vezes campeão do mundo, e ainda alguns tenista…  Não se igualaram nem às pessoas comuns que vão às ruas protestar.

Os jogadores brasileiros preferiram falar de suas infâncias, do amor à seleção brasileira, o maior sonho de um garoto quando joga futebol. Foi de dar vergonha aos manifestos no jardim da infância. Ora, todos sabemos a importância do Brasil no futebol, todos sabemos dos sonhos dos brasileiros, da história da seleção em Copas que, até o momento, essa turma não faz jus a ela. Ganhar partidas na América do Sul não pode ser parâmetro para esses caras que jogam a Liga dos Campeões. O Brasil tem sido massacrado nas Copas do Mundo. Esses caras já disputaram duas e fracassaram retumbantemente. São todos bons jogadores nos seus respectivos times, mas comuns na seleção e abaixo da média na vida em sociedade.

Talvez todos tenham esperado demais desses jogadores e apostando em perdedores. Eles não têm culpa. Foram criados como cordeirinhos, infantis, despreparados intelectualmente e sem qualquer noção do que é o Brasil de verdade. Quando deixam as favelas, onde cresceram, tratam de abrir institutos como forma de empregar seu rico dinheiro. Mas nem todos têm a noção do que realmente estão fazendo. Geralmente entregam a empreitada para algum parceiro ou familiar e aparecem vez ou outra. São pobres de ideia, de envolvimento, de sentimentos e de espírito. Mas jogam bola e nunca vão virar as costas para a seleção. Olham para a camisa e não enxergam a entidade, a CBF, cujo presidente está afastado por assédio sexual e moral. É dessa família que fazem parte. Chegam ao Brasil e não se solidarizam com a pobreza, desemprego, mortes na pandemia, vacinação lenta… São trancados na Granja Comary com cinco refeições ao dia…

Não são mais ‘brasileiros’ embora vistam a camisa da seleção. Esse geração vai passar, como todas as outras, e o que esses jogadores fazem em vida vai ecoar na história. Dentro e fora de campo. Eles serão lembrados pelo ‘manifesto’ desta terça-feira em Assunção. E da semana que “não existiu”.

Leia a íntegra da nota

Quando nasce um brasileiro, nasce um torcedor. E para os mais de 200 milhões de torcedores escrevemos essa carta para expor nossa opinião quanto a realização da Copa América.

Somos um grupo coeso, porém com ideias distintas. Por diversas razões, sejam eles humanitárias ou de cunho profissional, estamos insatisfeitos com a condução da Copa América pela Conmebol, fosse ela sediada totalmente no Chile ou mesmo no Brasil.

Todos os fatos recentes nos levam a acreditar em um processo inadequado em sua realização.

É importante frisar que em nenhum momento quisemos tornar essa discussão política. Somos conscientes da importância da nossa posição, acompanhamos o que é veiculado pela mídia e estamos presentes nas redes sociais. Nos manifestamos, também, para evitar que mais notícias falsas envolvendo nossos nomes circulem à revelia dos fatos verdadeiros.

Por fim, lembramos que somos trabalhadores, profissionais do futebol. Temos uma missão a cumprir com a histórica camisa verde amarela pentacampeã do mundo. Somos contra a organização da Copa América, mas nunca diremos não à Seleção Brasileira.

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