O torcedor brasileiro não está nem aí para sua seleção

Além de classificar o time para a Copa da Rússia, numa Eliminatória se que promete dura, Dunga e seus jogadores terão de recuperar o prestígio do Brasil, maior campeão mundial e único a participar de todas as Copa da Fifa

Robson Morelli

08 de outubro de 2015 | 09h36

O Brasil começa nesta quinta-feira sua caminhada para mais uma Copa do Mundo, a 21ª da Fifa, a ser disputada na Rússia em 2018. A seleção é o único time a participar de todas as competições, com cinco títulos conquistados. Também é o País que mais levantou taças. Mas esses eram outros tempos. Não seria demais supor que o torcedor brasileiro não acredita no time de Dunga. Em entrevista ao Estado para o repórter Amilton Ribeiro, Rivellino, campeão do mundo em 1970, foi categórico: “se nós nos classificarmos, não seremos campeões do mundo em 2018”. Não é qualquer um falando. É Rivellino. E esse sentimento é generalizado. O torcedor não confia na seleção. Tem motivos para isso, dentro e fora de campo.

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São dois momentos marcantes (negativamente) em campo e uma série de desconfiança da equipe desde a conquista da Copa das Confederações em 2013. Na Copa do Mundo, sob o comando de Felipão, o Brasil derrapou em todas as partidas. Não teve facilidade em nenhuma delas, nem mesmo na estreia com a Croácia no Itaquerão. A decadência no estilo de jogo culminou com o 7 a 1 diante da Alemanha, e depois, fragilizado, o time também apanhou da Holanda em Brasília, em seu último ato na competição. Para muitos, 2014 foi pior do que 1950.

Neste ano, já sob a batuta de Dunga, o vexame foi na Copa América, com apresentações tímidas e fracas e uma eliminação, da mesma forma, precoce. Pior: Neymar, o melhor jogador do time, foi expulso contra a Colômbia e agora não estará em campo nessas duas primeiras apresentações do Brasil, contra Chile, nesta quinta, e depois diante da Venezuela, em Fortaleza.

Mais que os resultados ruins, a seleção não tem um sistema de jogo definido, há jogadores individualmente bons, mas que estão longe de fazer parte de um time, e paira muita desconfiança sobre o trabalho de Dunga. Isso sem falar da dependência de Neymar. É inegável que o Brasil vai jogar nessas Eliminatórias em função do seu melhor jogador, como faz Argentina em relação à Messi, por exemplo. Esqueça o Brasil que empolga. E mesmo assim pode ganhar jogos. Mas será um teste de paciência para o torcedor. E aí entra em campo um outro fantasma: a possibilidade de não se classificar. Esse seria o pior cenário de todos, mas para alguns também seria o único jeito de limpar toda a sujeira que deixa o futebol na lama nesse momento.

Porque fora de campo, o cenário é devastador, da Fifa à CBF, passando por estruturas de clubes e arbitragem. Parece que nada funciona nesse momento no futebol nacional. O País lamenta ter um ex-presidente da sua principal entidade preso em Zurique desde 27 de maio e outro, o atual, sem poder deixar o Brasil com medo de também ser preso, todos por suposto envolvimento em corrupção, trambiques e tramoias. Tudo isso também respinga na seleção, por mais que os jogadores falem o contrário. As suspeitas acabam sendo generalizadas.

É nesse cenário que o Brasil tenta se garantir entre os quatro primeiros times das Eliminatórias Sul-Americanas, com jogos de ida e volta, num sistema de pontos corridos. Os quatro primeiros se garantem na Copa de 2018. O quinto faz mais uma repescagem com o vencedor da Oceânia. O continente tem, portanto, cinco representantes no Mundial. Tomara que o Brasil esteja lá. Mas ninguém pode prevê isso.

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