O VAR não é o problema. O problema são as pessoas que fazem uso do árbitro de vídeo

O VAR não é o problema. O problema são as pessoas que fazem uso do árbitro de vídeo

Corinthians e Cruzeiro teve dois lances equivocados porque a turma do apito usou mal as imagens da TV

Robson Morelli

18 Outubro 2018 | 11h43

Conseguimos esculhambar a tecnologia da arbitragem, o VAR. Era o que faltava. Parabéns a todos. As imagens do árbitro de TV foram inventadas, testadas e implementadas para reduzir ao mínimo, acabar mesmo, com as dúvidas objetivas do futebol. A bola entrou ou não? O jogador estava impedido ou não? O cartão foi dado para o atleta certo ou não? A falta foi dentro ou fora da área? O VAR nasceu para isso. Para bater o martelo a situações objetivas. Bastou pisar no Brasil para ganhar conotações totalmente equivocadas, mal direcionadas e tremendamente questionadas.

O VAR não é ruim. Ruim são as pessoas que se valem dele no futebol brasileiro. Estou muito à vontade para comentar sobre isso porque sempre torci o nariz para o VAR. Sou do tempo em que os árbitros e os bandeirinhas eram mais inteligentes e tinham mais personalidade. Isso acabou. O que temos hoje é um bando de árbitros sem noção, incompetentes, desprovidos de personalidade para decidir e que não entenderam ainda para que serve o VAR. O mesmo vale para seus chefes que comandam a arbitragem no Brasil. É muita conversinha e pouca ação. Esse cabide de emprego da arbitragem precisa acabar. O futebol tem de encontrar pessoas novas, sem vícios, sem compromissos com esse ou aquele, sem medo de errar, mas de modo a tentar fazer a coisa certa.

A falta de credibilidade da nossa arbitragem vai acabar por matá-la, e como ela o futebol. Não tem mais jeito. É terra arrasada. É preciso passar a máquina, arar o terreno e plantar hoje para colher lá na frente. Essa gente está viciada. As duas faltas capitais da decisão da Copa do Brasil entre Corinthians e Cruzeiro não aconteceram. Mas do que isso, elas não fazem parte da competência do VAR. Há uma transferência de responsabilidade do juiz de campo para os juízes da sala com ar condicionado. O árbitro do apito na boca é um cone, um menino de recado da bola. Foi o que vimos em Itaquera.

A CBF, por exemplo, deveria divulgar os áudios das conversas dos dois lances para que todos entendam melhor o que houve, como as discussões se deram, quais foram os pontos cruciais, quem tomou a decisão. Atento, o repórter Thiago Maranhão, do SporTV, pegou a tremedeira do senhor Wagner Magalhães ao tirar o fone do ouvido num desses lances. O cara estava tremendo. O futebol não pode ser refém disso. Os jogadores, da mesma forma, devem ser mais bem orientados e parar de pedir VAR para tudo. Eles são profissionais e precisam parar de se esconder em educação mal-feita e incompleta. O jogador brasileiro tem de ser mais ligado com as coisas da sua profissão, como as regras do jogo. Parar de ser um sujeito alienado, de fone no ouvido e dinheiro no bolso. Quando pararem de jogar, e vão parar lá pelos trinta e poucos anos, não saberão fazer nada, não entenderão o mundo, terão dificuldades e despertarão dó, o pior dos sentimentos.

Portanto, há um caminho longo a se percorrer no nosso futebol. Mas há também a necessidade de qualificar suas pessoas. Em todos os níveis.

Mais conteúdo sobre:

futebolCorinthiansCruzeiroVAR