O veto ao Morumbi abre espaço para a arena do Timão

Robson Morelli

14 de abril de 2010 | 09h29

Parece-me pouco lógico deixar o Morumbi fora da abertura da Copa do Mundo de 2014, como quer a Fifa. A entidade alega deficiências demais no projeto do estádio do São Paulo, e custos altíssimos, na ordem de R$ 1 bilhão, para atender a todas as necessidades impostas pela Fifa.
Do jeito em que está e com as propostas anunciadas pelo clube, o Morumbi não teria condições de receber a abertura da competição, o que sempre pleiteou desde a escolha do Brasil como país sede.
A cidade não será esquecida. Negar o Morumbi não significa abandonar São Paulo. Há muita disputa de bastidores nesta história. E o presidente Juvenal Juvêncio é contrário, todos sabem, às ideias de Ricardo Teixeira, da CBF, e muito mais ainda às de Marco Polo del Nero, da FPF. Está isolado nesta briga.
E nada me tira da cabeça que setores públicos e privados de São Paulo estão fechados com o Corinthians para a construção de sua arena. O presidente Andres Sanches, maior interessado nesta conversa toda, já que o clube não tem o seu estádio, anda calado demais. Ele sabe que esta é a maior chance de o Corinthians ter sua casa, e a oportunidade concreta surge em sua gestão. O que poderia querer mais?
O prefeito ou governador que encampanhar uma parceria com o Corinthians, acredito, será carregado nos ombros por uma massa de torcedores agradecidos, independentemente de suas crenças ou bandeiras.
Há muita costura neste assunto. A pergunta que se faz, no entanto, é se São Paulo comporta mais um estádio. Há o Morumbi, o Palestra Itália, o Pacaembu e o Canindé. Não seria o caso de reformar todos esses para mais 50 anos e presentear a cidade com quatro bons campos de futebol? Ocorre que o Corinthians não tem onde jogar, não tem sua casa, e se não conseguir moradia até a Copa de 2014, não conseguirá mais tão cedo. Como dizem os mineiros, não dá para perder este trem.

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