Obrigado por nada, Palmeiras!

Robson Morelli

16 de novembro de 2013 | 20h39

O Palmeiras festejou neste sábado a conquista do título da Série B do Campeonato Brasileiro. Agora, dono da taça que será entregue ao capitão Henrique na próxima rodada, vai se lembrar dessa conquista por mais 100 anos de sua história. Sim, o Palmeiras vai existir daqui a 100 anos. Mas que podia ter evitado essa temporada na Segundona, podia. Foi um ano perdido. ‘Obrigado por nada, Palmeiras’ – devem estar pensando os torcedores do time, inclusive os 19 mil que estiveram no Pacaembu na vitória contra o Boa por 3 a 0.

[poll id=”78″]

O acesso e a conquista não dão ao clube nada de importante, não o credencia para competições internacionais, apenas o leva para o lugar aonde ele estava antes de cair em 2012. De modo que o Palmeiras se juntará a mais 19 equipes que, como ele, tentarão dar passos mais altos em 2014. O clube andou uma temporada inteira para chegar ao lugar de partida.

Mas nem tudo deve ser jogado fora nesse 2013. No elenco formado pela diretoria, com a ajuda de Gilson Kleina, há jogadores em condições de permanecer na equipe. Alan Kardec é um deles. O atacante, quando joga mais enfiado na área, entre os marcadores, perto do gol, é sempre perigoso. Deve ficar com a 9. O goleiro Prass, que condenei muitas vezes neste espaço por achar que sempre estava longe da bola, melhorou muito e me convenceu de que pode permanecer e ajudar. Talvez tenha ganhado mais confiança.

Há outros, alguns já conhecidos do torcedor, como o meia Valdivia. Deve ficar. Eguren, com mais entrosamento e fôlego, substitui bem Márcio Araújo, que deve deixar o clube em dezembro, quando termina o seu contrato. Nesse calvário e ano perdido da Série B, o Palmeiras e a torcida se aproximaram e assim deve continuar no ano do centenário. O Palmeiras precisa de apoio para se reerguer por completo. Subir e ganhar a Série B não dá ao clube qualquer garantia de permanência na Série A em 2014. Espero que a diretoria também pense dessa forma.

Por fim, a permanência ou não de Gilson Kleina. O treinador merece todo o agradecimento do torcedor, dos jogadores, que pediram sua permanência após a conquista do caneco, e dos dirigentes que o tiraram da Ponte Preta e entregaram a ele a missão de trazer o time de volta. É verdade que Kleina teve chance de evitar o rebaixamento porque entrou no lugar de Felipão antes da queda. Mas isso também não garante nada em 2014.

Para a Série B, Kleina foi soberano. Tenho dúvidas de como seria na Primeira Divisão. Não vejo nele um comandante ousado e que tenha o grupo nas mãos. Nâo esse grupo. Talvez seja muito amigo dos jogadores. E todos sabem que treinador ‘bonzinho’ é engolido. Infelizmente é assim. Kleina ainda tem receio de perder e ousar, agredir e inventar. É pragmático. Prefere se defender a atacar. Valoriza volantes de marcação a meias mais saidinhos. Pelo menos foi o que vi nesta temporada. E olha que o Palmeiras sobrou com seu elenco na Segundona.

Não acho, no entanto, que Kleina não consiga ser um dia esse técnico ousado, com pulso e mais carisma que o Palmeiras precisa agora em sua volta para o Brasileirão, em ano de Copa e de seu Centenário. O problema é que o Palmeiras não pode esperar. E Kleina ainda precisa de algumas temporadas e mais confiança para se tornar o comandante que um dia pode se tornar.

Tudo o que sabemos sobre:

palmeiras

Tendências: