Olho para uma lista com nomes de treinadores brasileiros e não vejo quem poderia assumir o Palmeiras

Marcelo Gallardo seria boa opção, mas ele é caro é ainda pertence ao River Plate. Se Sampaoli não se interessar, o presidente Galiotte terá dificuldades para encontrar um nome acima de qualquer suspeita

Robson Morelli

02 de dezembro de 2019 | 13h52

Deu a louca no futebol brasileiro… Todos nós acompanhamos de perto as demissões e contratações de técnicos nos últimos meses. Alguns saíram de seus respectivos clubes por conta própria, como Argel, e outros porque chegaram ao limite de suas forças para mudar qualquer situação, como Abel Braga. Em 2019, os dirigentes perderam qualquer pudor em trocar treinador. Rogério Ceni ficou bem pouco tempo no Cruzeiro, assim como Mano Menezes no Palmeiras. O fato é que os treinadores mais desagradaram do que agradaram nesta temporada. Eles continuam ganhando salários altos, mas sem tanto prestígio. Alguns aceitam ofertas de trabalho para não ficar desempregados. Adílson Batista deixou o Ceará num dia para assumir o Cruzeiro no outro. O que os cartolas observam quando fazem essas contratações de impulso é mais o passado vencedor do profissional do que propriamente um futuro com novos métodos e perspectivas. Quase sempre trocam seis por meia dúzia.

Não vejo um só nome no Brasil… Observo uma lista de treinadores brasileiros do mercado e confesso não enxergar nela nenhum nome, por exemplo, capaz de mudar o Palmeiras, que mandou Mano Menezes embora domingo após 20 partidas à frente da equipe. O treinador ainda não se explicou, tampouco contou o que aconteceu. Quem viu Mano em campo contra o Flamengo tinha a nítida impressão de que ele já estava demitido. O fato é que os técnicos brasileiros estão em baixa no mercado nacional.

Na escuridão… Jorge Jesus e Jorge Sampaoli nos deram uma nova visão de ver o futebol. Descobrimos que a nossa visão era míope. Estávamos nos contentando com migalhas. Flamengo e Santos nos mostraram a luz num período de trevas no futebol nacional, inclusive na seleção. Os jogadores são limitados e os esquemas de jogo para esses jogadores são mais limitados ainda. As fórmulas de muitos técnicos me parecem desatualizadas, velhas, desgastadas. Esses treinadores, que até podem vencer aqui e ali durante uma temporada, estão fadados a desaparecer. Lembram de Joel Santana? Muitos outros também ficaram pelo caminho. Seus nomes aparecem nas listas, mas ninguém mais os enxerga. Vivem do passado e temem o presente. Não fazem planos para o futuro.

Há caminhos… O futebol brasileiro tem muito a oferecer ainda. Flamengo e Santos nos mostram isso toda rodada. O time do Rio é campeão da América com chances de jogar bem o Mundial de Clubes diante do Liverpool. O que essas duas equipes têm em comum? Nada, a não ser a disposição de seus treinadores de vê-las no ataque, jogando bonito e sendo eficiente durante os 90 minutos.

Gallardo?… O argentino Marcelo Gallardo, do River Plate, me parece bastante interessante, mas é caro e tem mercado na Europa. Ele tem mais dois anos de contrato com o River, mas todos na Argentina dizem que seu ciclo no clube chegou ao fim após seis anos e com a derrota para o Flamengo na Libertadores. Os brasileiros que mais me chamam a atenção são Renato Gaúcho e Luxemburgo. Mas não sei se eles dariam certo no Palmeiras. Tiago Nunes é bom também, mas esse já está no Corinthians. Seu trabalho leva tempo e ainda há nele um ponto de interrogação no que diz respeito a trabalhar em grandes clubes. O restante não contrataria. Nenhum deles.

Caminho difícil… Se o Palmeiras não conseguir se acertar com Sampaoli, uma de suas opções, será difícil encontrar outro com qualidade acima de qualquer suspeita em terras brasileiras.

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