Operário morre na Arena Palestra. Perícia vai apurar o que aconteceu

Robson Morelli

15 de abril de 2013 | 20h21

Parece sina. Pode ser fatalidade. Um operário morreu nesta segunda-feira nas obras da Arena Palestra, o novo estádio do Palmeiras. Agora que o time começava a ser assunto positivo nos bares e padarias por causa do futebol competitivo mostrado no Paulistão e Copa Libertadores, uma tragédia irreparável se apresenta ao clube. Vigas que sustentavam placas de concreto desabaram, provocando a morte instantânea de Carlos de Jesus, de 34 anos, um dos trabalhadores da WTorre empregados na construção. Carlos fazia história ao participar de uma obra gigantesca e importante para a comunidade palestrina e para a própria cidade de São Paulo. A polícia investiga os fatos. Uma perícia será feita a fim de averiguar o que aconteceu, se de fato tratou-se de um acidente ou se o pé no acelerador da obra foi acionado mais do que deveria.


Embora a Arena Palestra não esteja no caminho da Copa das Confederações e Copa do Mundo, o estádio também corria contra o tempo para ser entregue no começo do próximo ano, portanto, antes de o Mundial começar e bem antes de os turistas desembarcarem no Brasil. O Grêmio, que também fez seu estádio por conta própria, viveu situação parecida em Porto Alegre. Não há informações de desabamentos durante o processo de construção do estádio, mas grades erguidas para sustentar os torcedores no setor mais barato do estádio vieram abaixo quando sua tradicional avalanche foi testada de fato. Pessoas ficaram feridas. O episódio, assim como a tragédia da Arena Palestra, ganhou o noticiário de forma negativa. Um peso nas costas do país que organiza uma Copa, claro.

Fico imaginando o que os torcedores estrangeiros estariam pensando do Brasil nesse momento. Por isso que temos de respeitar os prazos das construções sim, mas também confiar nas pessoas que tocam essas obras quando solicitam mais tempo para a entrega. A Fifa trabalha com datas. Os responsáveis do Comitê Organizador Local (COL) precisam trabalhar também com segurança. A morte do operário da Arena Palestra, que morreu trabalhando, esmagado por uma placa de cimento, poderia ter acontecido em qualquer um desses estádios que ainda não foram entregues para o torneio de 2014, como o Itaquerão, palco da abertura da competição, cujos prazos se esgotam e as obras são aceleradas a qualquer custo. Digo que não pode ser de qualquer jeito, como boa parte das coisas que acontecem nesse País. A prova está aí, debaixo da placa de concreto.

Carlos de Jesus ou qualquer outro trabalhador não merecia tamanha sorte, ou falta dela. Gostaria muito de pensar que tudo não passou de uma fatalidade, de verdade, que alguma coisa feita de forma correta na Arena Palestra deu problema sem que ninguém pudesse ser responsabilizado. Mas não tenho essa certeza. A perícia vai nos dizer isso.

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