Os clubes, como o Corinthians, estão virando times de aluguel

Os clubes, como o Corinthians, estão virando times de aluguel

Ainda acho que os clubes deveriam ser mais fortes do que os empresários e não se render tanto aos pedidos de agentes

Robson Morelli

20 de agosto de 2014 | 11h31

A saída de Cleber do Corinthians sem olhar para trás e sem deixar um único centavo nos cofres do clube demonstra o quanto está errado o caminho que o futebol brasileiro tomou nos últimos tempos. O jogador, que até a última rodada do Campeonato Brasileiro, era titular absoluto da equipe de Mano Menezes, aceitou proposta do futebol alemão para jogar no Hamburgo e deixa o Parque São Jorge sem que o Corinthians ganhe nada em dinheiro.

Ou seja: o Corinthians era apenas uma vitrine para o jogador. Enquanto ele quisesse atuar no time, estava à disposição. Qualquer oferta atraente, como foi a do Hamburgo, o jogador teria o direito de sair sem qualquer aviso prévio ou discussão antecipada com a diretoria do clube brasileiro. Esse tipo de acerto é chamado de “Clube de Aluguel”, em que o jogador é colocado no elenco por seu empresário sem qualquer custo para o contratante. O Corinthians não teria pago nada pelo contrato de Cleber, a não ser assumir seu salário mensal.

De modo que a contrapartida seria essa liberdade de escolha durante qualquer momento da temporada.

É um ganha e perde sem fim. Na minha opinião, um ‘perde’ para o clube hospedeiro maior que o ‘ganha’. Claro. Primeiro, porque o Corinthians, no caso, perde um titular e isso tem seu preço nas partidas, no rendimento da equipe, nas apresentações do time. Segundo, porque todo o investimento feito no atleta, seja ele qual for, fica por isso mesmo. Cleber vale muita mais hoje, depois de usar a camisa do Corinthians, do que valia antes de pisar pela primeira vez no Parque São Jorge. Essa condição é comum nos pequenos e não nos grandes.

O que pode existir no contrato, e deveria, é uma cláusula dando ao Corinthians, ou a qualquer clube que tenha esse tipo de acordo com agentes e jogadores, algum percentual em caso de venda, do tipo a reembolsar o clube de aluguel de alguma forma. Que seja 10% do valor negociado.

Não entendo como um empresário consegue ter uma cesta de jogadores e um clube não. Os atletas deveriam primeiro se ajeitar com os clubes antes de assinar com os empresários. Os clubes são mais fortes que os agentes. Ou deveriam ser. Os clubes poderiam ter agentes que trabalhassem para ele, de modo a não encarecer as transações, de modo a descobrir talentos, de modo a ajudar a equipe e o treinador em posições carentes, a não ter mais ‘comissão’ nas contratações. Os clubes deveriams er soberanos para que pudessem ter melhores equipes. Claro, dentro de uma transparência que ainda não existe no futebol nacional.

E isso não quer dizer que o futebol deveria voltar no tempo em que os jogadores eram presos aos clubes. Não é isso. Só vejo essa situação, esse cenário, como mais um fator prejudicial ao crescimento e amadurecimento do futebol brasileiro. Mas sei que deve ser duro trabalhar dessa maneira porque poucos times, ou nenhum, conduzem suas transações e gestões dessa maneira. Talvez o errado seja eu de pensar assim e não o futebol brasileiro.

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