Cartolas perdem a vergonha e não se incomodam mais em deixar de pagar dívidas

A dignidade e a honra de bancar os compromissos financeiros ficaram pelo caminho. Tem jogador querendo parar o Brasileirão

Robson Morelli

12 de junho de 2015 | 11h50

Em recente conversa com um ex-jogador que agora tenta ganhar a vida como empresário, uma triste constatação: ninguém paga ninguém. Os dirigentes perderam o restinho de dignidade que tinham para honrar compromissos financeiros. Alexandre Pato acaba de entrar na Justiça para romper seu vínculo com o Corinthians por atraso de salário, o que inclui direitos de imagens. Ele joga no São Paulo, mas também recebe do Corinthians. O dinheiro não pinga mais e o jogador cada vez mais vai acionar a Justiça.

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Essa tendência não era bem vista no meio, sobretudo pelos cartolas que se conversam nas reuniões da CBF e FPF. Agora, escancarou. E o caminho dos tribunais começa a ser tomado como único para solucionar as pendengas.

Os cartolas não estão pagando ninguém. Nem salários nem comissões. Então, ninguém mais trata os negócios de ‘palavra’. Os documentos são assinados e depois usados como prova no processo. É assim que está o futebol nesse momento. O dinheiro que entra vai amortizando dívidas. Há salários, por exemplo, atrasados no Corinthians e no São Paulo. O incômodo que antes poderia existir entre os dirigentes, não existe mais. Está tudo de pernas para o ar. E a bola tem de rolar toda quarta e domingo, até que os jogadores se organizem e parem o campeonato. Essa possibilidade, mesmo que somente por uma rodada, não está descartada. Há jogadores mais fatigados com o cenário falando disso. E não é o Bom Senso FC apenas.

Todos os cartolas alegam falta de dinheiro. Mas sempre gastaram mais do que arrecadam. Agora, mais ainda. Pagar R$ 800 mil por Alexandre Pato é incompreensível, fora da realidade. E aceitam pagar sem fazer uma única conta de quanto Pato poderia trazer de dinheiro para o clube. E assim fazem com tantos outros. Só que agora nem os ‘bons pagadores’ estarão mais honrando seus compromissos. A coisa está feia. E vai ficar pior. A Globo vai entrar na parada e exigir mais.  É fato também que o nível do futebol brasileiro não vale mais tanto dinheiro assim.

Esse amigo me disse que alguma coisa vai acontecer no Brasileirão. E parou aí.

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