Os mandamentos de Florentino no Brasil

Robson Morelli

10 de setembro de 2009 | 11h14

A cartilha do presidente do Real Madrid, Florentino Perez, jamais daria certo no Brasil. O dirigente escreveu na pedra do Santiago Bernabeu oito regras para o elenco. Imagino que valerá enquanto ele estiver no comando.
O 1º mandamento acusa o comportamento dos boleiros: ‘Proximidade: ser próximo dos torcedores.’ Nem a Seleção é grata aos gritos que recebe das arquibancadas. É frequente topar com jogadores em locais públicos se esquivando do torcedor, pode até ser de um grupo de garotos ávidos por autógrafo.

O 2º mandamento até que passa por aqui: ‘Educação: mostrar respeito com técnico, diretoria e torcida’.

O 3º também não há do que reclamar: ‘Esforço: sacrifício e dedicação’, embora tenha sido no futebol brasileiro a invenção da expressão ‘chinelinho’ – aquele jogador que não gosta muito de treinar.

A 4ª indicação do espanhol daria o que falar, sobretudo nos clubes do Rio: ‘Pontualidade: chegar a tempo de todas as atividades’. Adriano, do Flamengo e que ontem defendeu a Seleção, teria problemas.

‘Saúde: evitar situações de risco’, foi o que Florentino pediu no 5º item da lista. Precisaria definir melhor do que se trata. Andar no trânsito de São Paulo, por exemplo, estaria nesse grupo? Ou parar à noite nos faróis?

O 6º é para fechar o clube: ‘Ordem: “não” às saídas noturnas. Aqui isso não daria certo, desde os tempos de Garricnha ou muito antes.

O penúltimo é o mais tortuoso de todos: ‘Imagem: cuidar da maneira como se veste’. Se essa maneira fosse bermuda, camiseta e corrente grossa no pescoço, va lá. Qualquer outra vestimenta não faz parte da cultura do jogador de futebol do Brasil.

E há ainda o 8º mandamento: ‘Colaboração: com o clube e com a imprensa. Se for pago, eles aceitam na hora.

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