Os motivos que derrubaram Felipão do Palmeiras

Robson Morelli

14 de setembro de 2012 | 19h55

Desde que chegou ao clube, em sua segunda passagem, Felipão foi minado por opositores do presidente Arnando Tirone que não queriam o técnico. Mas muito mais porque Tirone seria beneficiado por conquistas do que por qualquer outro motivo. Felipão fortaleceria a situação, o que não se comprovou até o título da Copa do Brasil.

Nesse percurso, o treinador também se desentendeu com Roberto Frizzo, homem de confiança de Tirone e com total influência no futebol. Frizzo e Felipão não falavam a mesma língua em relação aos reforços. E Tirone se viu num fogo cruzado entre seus dois pilares. Pediu um cessar-fogo em nome do Palmeiras.

Felipão também se sentiu traído pelos ‘camarões’ que foram prometidos pelo presidente, mas que não vieram, deixando-o com um elenco abaixo do esperado e sem condições de brigar de igual para igual com a concorrência. Mas até aí, o treinador teve de engolir a falta de caixa do Palmeiras e se virar com o que tinha, e foi o que fez.

O time passou a temporada capengando até a conquista da Copa do Brasil, título que deu um alento a todos na Academia. Os jogadores também entenderam que depois da façanha a paz voltaria a reinar no clube. Não foi o que aconteceu. Em parte porque o Palmeiras começou a colecionar derrotas no Brasileirão e a se afundar na zona de rebaixamento.

Mas também porque situações começaram a vazar de dentro do vestiário. O Estadão deu a notícia de que a comissão técnica estava desconfiada de jogadores fazendo corpo-mole e alguns foram afastados. Isso azedou de vez o ambiente entre Felipão e seus comandados, mesmo com aqueles que discursavam em prol do grupo e do bom futebol.

O treinador já não tinha mais a confiança de parte do elenco. Panos quentes foram colocados pelo gerente de futebol César Sampaio, ele próprio diagnosticando um ambiente nada confortável no clube. Felipão afastou alguns jogadores – em sua cabeça porque eles não estava rendendo o esperado. E isso rachou de vez o grupo.

Na cabeça nos que jogavam contra o treinador, o que Felipão fez foi ‘apontar’ culpados pela má fase do time no Brasileirão e condená-los diante da torcida. Mazinho e Maikon Leite foram dois desses jogadores. A derrota para o Vasco foi a gota d’água que encheu o balde. Tirone percebeu que não havia mais o que fazer com Felipão. E Felipão já não tinha mais o comando do elenco nem o respeito de alguns jogadores. Estava morto. Tanto era assim que nesta sexta, o treino dado por Narciso teve a participação de quem praticamente andava em campo, com dores e reclamando de contusão.

Felipão percebeu na volta do Rio para São Paulo que não havia mais clima para ficar. E negociou sua saída, tramada dentro do vestiário da Academia.

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