Os patrocinadores da CBF deveriam se envergonhar dessa parceria

A entidade deveria vir abaixo, pedra sobre pedra. Não há como mudar uma instituição tão contaminada. Todos os seus parceiros estão sob o olhar desconfiado do público

Robson Morelli

28 de maio de 2015 | 10h58

O futebol mundial, em especial o sul-americano, sobretudo o brasileiro, tomou uma cacetada sem precedentes em sua história desde que a primeira bola rolou em campos batidos de terra por essas bandas. Nada mais será como antes depois de o FBI entrar em campo e carregar preso sete membros da Fifa, em ação inédita, entre eles José Maria Marin, ex-governador de São Paulo e presidente da CBF, todos acusados de corromper o futebol, se enriquecer ganhando propina e de armar esquemas fraudulentos na comercialização de campeonatos importantes nas duas últimas décadas.

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Somente Marin, de acordo com as investigações dos agentes norte-americanos, teria metido a mão em R$ 63 milhões em práticas ilícitas com os parceiros da CBF e, consequentemente, da seleção brasileira. As provas que faltavam sobre uma prática que todo mundo sabia existir não faltam mais. Esquemas eram montados na cara dura, com pedágios e propinas, como única forma de se relacionar com essa gente. Os que pagam propinas são tão corruptos quanto os que recebem, diga-se.

Não há santos nessa história. A cúpula do futebol sul-americano, que organiza Libertadores, Copa América, amistosos ou seja lá o que for envolvendo times de futebol, deveria ser destituída. Da mesma forma, os membros da CBF deveriam entregar os cargos. É claro que pode haver, e certamente há, profissionais honesto dentro da sede da CBF no Rio. Ocorre que o sistema está tão contaminado que não há como mudá-lo sem trocar as peças, sem recomeçar do zero, sem rever todos os contratos, anulá-los e refazê-los com transparências. Toda a investigação do FBI diz respeito à prática ilícita de comercialização do futebol e de suas ramificações. O sistema está pobre. É preciso jogá-lo fora. Não há outra saída. Não há conversinhas capazes de mudar isso. O torcedor brasileiro não acredita mais.

No Brasil, a Traffic, de J.Hawilla, e a Klefer, de Kleber Leite, dominam esse cenário há anos, décadas na verdade. Vendem e revendem direitos, placas de publicidade nos estádios e tudo o mais relacionado a partidas e torneios. Essa turma precisa ser banida do futebol, devolver dinheiro para criar um fundo ou algo do tipo. A CBF, da mesma forma, não pode passar sem punição.  Afinal, até abril, Marin era o presidente da entidade, e todos esses outros membros acusados transitavam na sede da entidade sem bater na porta.

Não dá para cair no conto de Marco Polo del Nero (foto) de que ele, o novo presidente da entidade, não sabia de nada e que era somente presidente da FPF. Oras. Ele esteve ao lado de Marin desde que esse assumiu o comando de Ricardo Teixeira, outro que deve se explicar na Justiça, devolver o que não lhe pertence, se caso for. A CBF deveria vir abaixo, pedra sobre pedra. Isso não vai acontecer, se muito, os envolvidos serão banidos do futebol e talvez pagar multas. Só há uma forma de rever tudo, é dinamitando a entidade comercialmente. Os patrocinadores deveriam ter vergonha de patrocinar essa gente. Deveriam tirar o time de campo, mesmo se isso significasse deixar de ganhar um pouco ou de aparecer menos. O fato é que as marcas que estão diretamente ligadas ao futebol sul-americano, e brasileiro em especial, perderam credibilidade. Quem afinal paga propina? Todos estão sob o olhar desconfiado do público.

Minar a CBF financeiramente seria uma das formas de acabar com a força da entidade. Há outras formas que devem ser pensadas também, como uma intervenção do governo, a criação de uma Liga Nacional Independente e por aí vai. O fato ainda é que as pessoas do bem deveriam se valer desse momento para mudar o futebol. O silêncio é a pior resposta a tudo o que está aí. A hora é de revolucionar, tomar o poder, refazer o futebol brasileiro.

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