‘Os pontapés nos traseiros’ dados por Valcke podem funcionar na Arena da Baixada

Robson Morelli

18 de fevereiro de 2014 | 12h38

A Fifa e o Brasil ventilaram a possibilidade de excluir a Arena da Baixada da Copa do Mundo, de modo que Curitiba deixaria de ser uma das cidades-sede da competição. A decisão deverá ser tomada nesta terça-feira pelo secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, e seus pares, em nova visita ao País. O estádio do Atlético-PR andava torto, com obras atrasadas, poucos funcionários na labuta e falta de dinheiro. Essa era a visão da Fifa na avaliação de dezembro do ano passado. O temor de perder uma das sedes alarmou representantes do Comitê Organizador Local (COL). Como era possível, praticamente às vésperas do Mundial, a Fifa chegar à conclusão de que não deveria ter jogos na Arena da Baixada? Sobraria para todo mundo.

A Fifa usou desses argumentos para pressionar, como sempre faz. Blatter sabe que se não cobrar, a coisa pode não sair. Por isso ele manda Valcke dar seu recado, alarmar os envolvidos e desferir os ‘chutes nos traseiros’ quando preciso, como agora. Ocorre que dá última vistoria para a desta semana, muita coisa andou em Curitiba, e confesso, baseado em fotos publicadas no Estadão do Estádio do Atlético-PR, que a Arena será entregue em mais um mês de obras. Informações também dão conta de que Curitiba receberá mais dinheiro para finalizar a reforma.

Portanto, o Brasil corre sim riscos, mas a Fifa corre mais. Seria um transtorno também para a entidade tirar a Copa de Curitiba. Primeiro porque ela está compromissada em atender as 12 cidades-sedes. Segundo, porque teria de correr atrás da logística para mandar os jogos da Arena da Baixada para outro estádio, como o Itaquerão ou o Beira-Rio, dois dos mais próximos do Paraná. Isso daria trabalho uma vez que mexe com a tabela. A Fifa reza para não ter de alterar a distribuição dos jogos. Por fim, porque teria ainda de ressarcir todos os torcedores que compraram ingressos para os jogos de Curitiba. São eles: Irá x Nigéria; Honduras x Equador; Austrália x Espanha; Argélia x Rússia.

Por tudo isso, penso que a Fifa agiria corretamente dando aos envolvidos com a Copa em Curitiba um tempo a mais para terminar tudo. É claro que Valcke refere-se somente às obras esportivas, da arena para dentro, e não às construções de infraestrutura ao arredor do estádio. Basta levar em conta que o Itaquerão, palco da abertura, só será entregue em abril. O mesmo pode ser aplicado à Arena da Baixada.

[poll id=”108″]

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.