Os técnicos do Brasil têm uma missão: transformar meias em volantes para o passe melhor

Há muitos jogadores de marcação em campo e poucos criadores, armadores com qualidade e inteligência

Robson Morelli

13 de agosto de 2014 | 14h33

Existe uma máxima no futebol brasileiro, da várzea e profissional, de que se zagueiro tivesse habilidade ele seria volante, e volante seria meia. No futebol brasileiros dos últimos anos, zagueiros e volantes se transformaram nas grandes opções dos times, e da seleção brasileira, o que é pior, de saída de bola. Isso explica um pouco o fracasso do futebol nacional. Não só isso, mas tem seu peso.

Os treinadores, diga-se, são os grandes responsáveis por essa situação. Porque, os técnicos, de uns tempos para cá, passaram a venerar os volantes, marcadores, quase sempre brucutus da bola, capazes de desarmar na mesma proporção que fazer um buraco no gramado.

Os volantes sem habilidade não são por si só a braga do futebol brasileiro. O uso indiscriminado deles é o problema. A desculpa é que hoje os jogadores correm mais durante uma partida, de 8 quilômetros do passado para 15 quilômetros do presente. E os times, dizem, precisa de marcadores, de destruidores, de jogadores que não sabem o que fazer com a bola quando ela sobra nos seus pés ofensivamente.

Daí a missão dos treinadores, de acabar com o mal que começaram, e tirar os volantes de campo. Um basta. É preciso recuar os meias e ensiná-los a marcar. Não vão marcar como volantes tampouco como zagueiros. Não é isso. Mas têm de marcar e ajudar a fechar os espaços, como fazia o time da Alemanha na Copa, sobretudo na goleada imposta sobre o Brasil de 7 a 1. Com meias disfarçados de volantes, o time ganha na saída de bola inteligente, com bons passes, rapidez e convicção. Isso torna qualquer equipe melhor.

Deixa um volante apenas p0ara marcar juntamente com os zagueiros. É preciso jogar para ganhar e não para não perder. Com um monte de volantes em campo, os técnicos demonstram que estão mais preocupados em ter gente para marcar do que ter gente para atacar. Pensam em se defender do que em marcar gols. É claro que a reformulação do futebol, de sua qualidade em campo, não é só isso, mas passa por isso também.

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