Treinadores de peso do Brasil deveriam ensinar nas bases

Só assim, com a visão desses profissionais, o futebol poderia melhorar sua qualidade num curto espaço de tempo. Imagina um Muricy e um Luxemburgo ensinando a molecada. Seria demais

Robson Morelli

06 Agosto 2015 | 10h05

A onda é de técnicos estrangeiros no Brasil. Pode até ser, motivada pela chegada de Osorio no São Paulo e pelo trabalho de Aguirre no Inter. Alguns ‘professores’ da casa perdem respeito em times que não vingam, mas sobretudo porque não conseguem o tempo necessário para formar um time. Tudo na vida dos treinadores deve ser para ontem. Dorival Junior, por exemplo, reassumiu o Santos precisando vencer. Da mesma forma isso foi dito a Cristóvão Borges quando entrou no Flamengo. Os dois treinadores ainda sofrem com essas questões.

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Muito do trabalho questionado dos técnicos brasileiros se deve a elencos fracos e a jogadores de pouca habilidade, desprovidos dos principais fundamentos do futebol, como o simples passe. Para mudar esse quadro uma opção seria oferecer a treinadores mais experientes as bases dos clubes, com a escancarada missão de formar jogadores, ensinar fundamentos, preparar a molecada para chegar ao time principal. Imagina um Muricy Ramalho em Cotia, onde o São Paulo montou sua fornalha de craques. Não seria demais vê-lo ensinando. O mesmo se aplicaria a Luxemburgo, Abel Braga, Felipão, Levir (Foto), Parreira… Esses treinadores questionados em seus trabalhos por vezes, poderiam recomeçar na carreira com muito mais responsabilidade. Claro. Porque formar jogador, além de ajudar o futebol brasileiro no futuro, também implica diretamente nos ganhos dos clubes. Um bom atleta pode ser negociado por milhões.

Isso sem falar no prazer de encontrar uma pedra bruta e lapidá-la, como foi feito com Kaká, por exemplo, mas tantos outros em outras épocas. O futebol brasileiro abandona há anos essa tarefa das bases. Geralmente o treinador escolhido para comandar os meninos é algum amigo de algum dirigente sem muita importância no clube, e ele fica ali e vai tocando de qualquer jeito, pensando quase que unicamente em ganhar torneios. Mas o que vale vencer um campeonato Sub-11? Essa mentalidade matou a formação dos jogadores brasileiros.

A lei não ajuda, os empresários atrapalham, a Europa vem buscar cada vez mais cedo. Tudo isso conta para explicar a lástima do futebol atual. Por isso que seria interessante, no mínimo, entregar a base para treinadores de peso, que seriam bem pagos da mesma forma.

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