Oswaldo de Oliveira tem muito trabalho no Palmeiras

Oswaldo de Oliveira tem muito trabalho no Palmeiras

O novo treinador precisa encontrar um time e não deve se contentar com jogadores ruins e sem personalidade. Insistir em atletas que já tiveram suas chances também não dá mais

Robson Morelli

17 de dezembro de 2014 | 11h25

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A chegada de Oswaldo de Oliveira ao Palmeiras merece toda a pompa que de fato teve, com o treinador de terno e gravata e prometendo resgatar a tradição do clube, perdida nos últimos anos. Até aí, todo treinador que chegou ao Palmeiras recentemente fez o mesmo. O que muda com Oswaldo é o tamanho do seu currículo, com passagens pelos quatro grandes do Rio e agora de São Paulo.

Em comparação com os outros que ocuparam o lugar, Oswaldo sobra. Isso, no entanto, não quer dizer muita coisa, uma vez que o Palmeiras já fracassou outras vezes com Muricy Ramalho e Felipão. Então, é preciso parar de dar tanta atenção aos profissionais que não entram em campo e começar a olhar com mais carinho para quem de fato merece toda a atenção: os jogadores. O Palmeiras provou nos últimos anos que comissão técnica não ganha jogo, que dirigente bom é aquele que consegue formar uma equipe e que o presidente competente é aquele que trabalha sem fazer barulho, mas com muito foco.

Vejo Oswaldo de Oliveira como um treinador corajoso, portanto, com qualidade para deixar a mesmice do futebol e propor cenários mais modernos. Digo isso em relação ao time. É possível encontrar bons jogadores e fazer desse grupo uma equipe. É preciso garimpar. Esse, aliás, é um trabalho que vejo poucos treinadores fazendo. A seleção, de Dunga e Alexandre Gallo, realiza esse trabalho com muito mais competência. Temos notícias dos treinadores em constantes viagens para ver atletas brasileiros que possam render na seleção. É claro que esse é um trabalho diferente em relação ao clubes, castigados pelo calendário nacional.

Mas esse trabalho de correr o Brasil, por exemplo, atrás de bons jogadores em todos os clubes em atividade no País, precisa ser retomado. Hoje, os treinadores esperam por ofertas de agentes, fundos de investimentos, empresas que trabalham com transferência de jogador. Não é mais o DVD com os melhores lances da carreira do atleta, mas é bem parecido a isso. Existe muita acomodação nesse sentido. Os clubes contratantes estão sempre esperando por ofertas, por conhecidos que possam ajudar e oferecer jogadores.

Há ainda os acertos mais ‘comprometedores’ dos amigos dos amigos, das indicações de pessoas próximas, dos ex-jogadores. E todos tentam ganhar com isso. O clube se perde e administra mal esse trabalho. O Palmeiras precisa, acima de tudo, encontrar bons jogadores, revelar garotos e contratar alguns reforços de peso, jogador pronto que divida com os existentes no time a responsabilidade de qualificar a equipe. O Palmeiras nos últimos tempos peca por montar times fracos e de pouca personalidade.

Oswaldo de Oliveira não pode se contentar com um elenco meia-boca, empurrado para seu vestiário sem o seu aval. Ou um grupo de jogadores que não rendem nada dentro de campo, como foi esse comandado por Dorival Junior.

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