Palmeiras e Santos, os quase dissidentes

Robson Morelli

27 de fevereiro de 2011 | 15h29

Palmeiras e Santos estão prestes a debandar para o lado dos dissidentes do Clube dos 13 e se juntar ao Corinthians no conturbado capítulo em que se transformou a negociação dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro do triênio 2012, 2013 e 2014. Se isso acontecer como se aventa nos bastidores dos dois clubes, o quarto grande do Estado, o São Paulo, ficaria isolado nas tratativas com a TV.

Juvenal Juvêncio, mandatário do Morumbi e desafeto declarado de Ricardo Teixeira, da CBF, não pretende romper com o C13, do presidente Fábio Koff. O Clube dos 13, diga-se, tem no São Paulo e no Atlético Mineiro, dirigido por Alexandre Kalil, que também é vice do C13, dois de seus maiores aliados nessa batalha contra Globo e CBF, apontados por Koff como responsáveis por toda essa confusão. O outro de Minas, o Cruzeiro, anunciou ontem estar com os rebeldes. O presidente Zezé Perrella fez uma lista dos dissidentes, e incluiu nela Palmeiras e Santos, além dos quatro do Rio, do Corinthians e de Goiás, Atlético-PR e Coritiba. “O C13 pode me expulsar se for o caso ou pedir a minha desfiliação.”

Kalil, do Galo, garantiu ao blogueiro que de nada adiantará isso. “Não adianta a Globo conversar com esse ou aquele. Se não houver um consenso, e no meu entender só haverá pela licitação, não teremos transmissão”, disse o presidente do Atlético-MG.

A possibilidade de ganhar mais da Globo do que se continuar aliado ao processo de licitação do C13 parece mexer com o presidente do Palmeiras, Arnaldo Tirone. Ele também teme comprar briga com a Globo, que sempre esteve fechada com a CBF. Na ordem de grandeza do Clube dos 13, o Palmeiras pertence ao grupo de elite, portanto, com direito estimado de receber R$ 42 milhões/ano. Na mesma condição estariam Vasco e São Paulo e os dissidentes Corinthians e Flamengo.

Mas a decisão da Globo de sair da licitação deve levar as outras duas emissoras interessadas, Record e Rede TV!, a não oferecer muito mais que a cota mínima proposta pelo C13, que é de R$ 500 milhões. Ou seja, os valores especulados pela entidade de Koff poderão sofrer ligeiro corte. OC13 fazia suas contas estimando que a vencedora da concorrência entre as TVs abertas desembolsasse R$ 600 milhões por temporada do Brasileiro. Isso pode não acontecer.
O Palmeiras vê com bons olhos a possibilidade de pedir mais para a Globo. Gostaria muito de se juntar a Corinthians e Flamengo, cujo valor de transmissão dos jogos deve bater nos R$ 75 milhões. Mas entenderia se isso não fosse possível. O Grêmio pediu R$ 50 milhões e esse valor servirá de plataforma para todos os outros clubes interessados em conversar com o Globo.

O Santos, de acordo com seu presidente, Luís Álvaro, entregou a decisão para seu comitê gestor, que tem por finalidade orientar a presidência em assuntos polêmicos. Amanhã, depois da análise de tudo o que foi dito na semana, uma posição será tomada. “Respeitamos o C13 e o seu presidente, Fábio Koff, mas tomaremos a decisão que for melhor para o Santos”, disse Luís Álvaro, que votou contra Koff na última eleição, mas que ganhou um cargo na comissão de negociação com as emissoras de TV.

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