Palmeiras entra agora numa situação política complicada e que vai envolver o futebol

Eleições darão rumo à temporada de 2019 e reformulação do elenco

Robson Morelli

01 Novembro 2018 | 18h51

O Palmeiras terá agora de dar passos importantes para a próxima temporada, mesmo ainda sem ter acabado a atual. Serão decisões difíceis e que devem respingar diretamente no futebol. Trata-se da eleição para presidente, marcada para dia 24. Há a turma do Maurício Galiotte e a de Mustafá Contursi/Paulo Nobre/Genaro Marino. O presidente terá de fazer muita campanha para conseguir se reeleger. Poderia usar algumas conquistas para se dar bem. Ocorre que não ganhou nada ainda. Nem Paulista nem Copa do Brasil nem Libertadores. Está muito bem encaminhada a conquista do Brasileirão, mas talvez aconteça depois do pleito.

WERTHER SANTANA / ESTADÃO

Há ainda o fator Crefisa, a patrocinadora do clube e que injeta milhões de reais toda temporada desde 2015. Não há como desconsiderar isso. A representante da empresa já disse que gostaria de que o presidente fosse reeleito. Faz pressão para isso, mas certamente vai apertar a mão do novo comandante (se tiver um) se quiser continuar no Palmeiras.

A eleição pode respingar no futebol. Até agora, os dois lados conversam no sentido de manter os profissionais que comandam o time, desde a comissão técnica liderada por Felipão até os dirigentes que fazem o departamento funcionar, como Alexandre Mattos. Imagino que algumas mudanças podem ocorrer. Defendendo o lado dos repórteres, a cobertura do Palmeira tem sido muito fechada, sem que os jornalistas possam ver treinos inteiros e ter acesso aos jogadores. Isso empobrece as notícias do clube, que interessam muito aos torcedores. Espero que mudem.

Felipão não deve correr riscos, seja quem for o novo presidente. Ele chegou em agosto. Nesta semana faz três meses de Palmeiras. Tirou o time das posições intermediárias do Nacional e o levou para a liderança, com quatro pontos de vantagem para o segundo colocado. Perdeu a Copa do Brasil e foi eliminado para o Boca Juniors na semifinal da Libertadores. Isso tem peso, mas dentro do clube as eliminações foram vistas como normais: perdeu para rivais competentes, como Cruzeiro e Boca.

Mas tem de ganhar o Brasileirão. Um time do tamanho do Palmeiras não pode ficar um ano sem ganhar taça. E agora só resta o Campeonato Brasileiro. Vai ter de ganhar. Após as eleições e o fim da temporada, se tudo for mantido como está, Felipão vai reavaliar o elenco. Nesses três meses ele já detectou que há um desequilíbrio no grupo. Por exemplo, o Palmeiras não tem atacantes de velocidade. Quem mais se aproxima disso é Dudu, que não é mais um atacante pelas pontas. Há a necessidade de ter um centroavante melhor. Borja, que só joga de braços arriados, e Deyverson, um peladeiro de marca maior, não servem para 2019.

Tudo isso será encaminhado neste mês, um novembro decisivo para o Palmeiras.

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