Palmeiras tem chances remotas, mas ainda tem chances de chegar à final da Libertadores

Palmeiras tem chances remotas, mas ainda tem chances de chegar à final da Libertadores

Derrota por 2 a 0 para o Boca Juniors em Buenos Aires tira o brilho do time na competição; forma de jogar foi um grande erro de Felipão e de seus jogadores

Robson Morelli

25 Outubro 2018 | 11h45

Quem viu o Palmeiras jogar nesta quarta-feira em Buenos Aires, contra o Boca Juniors, teve uma enorme surpresa (negativa). E desde os primeiros minutos de jogo. A forma com que o Palmeiras se propôs a encarar o rival argentino na semifinal da competição mostrou-se um ser um grande erro, de muitos riscos. Digo isso porque o Palmeiras que vinha jogando nada tem a ver com o Palmeiras que entrou em campo na Bombonera, mesmo com seus melhores atletas.

AP Photo/Gustavo Garello

Felipão apostou numa fórmula equivocada de se aproximar da classificação para a final. E o resultado foi que o time ficou mais longe da decisão. Desastroso. Não diria que o Palmeiras foi covarde nem que os jogadores cometeram erros em campo, como se apontou para Felipe Melo no escanteio em que o jogador argentino, Benedetto, marcou o primeiro do Boca. Felipe Melo subiu de cabe e não achou a bola. Benedetto estava atrás dele é mandou para as redes. É do jogo. Felipe Melo fez uma boa partida e de muita entrega como de costume.

O pecado do Palmeiras foi a forma de atuar, repito. O time abusou dos chutões para qualquer lado, para onde o nariz de quem chutava estava voltado. Essa forma de se defender não é do Palmeiras. Os chutões são usados em casos estremos. O Palmeiras fez isso o tempo todo. Todo mundo viu. O meio de campo, que sempre construiu as jogadas nesta temporada, estava perdido. Bruno Henrique, Moisés e Dudu não sabem jogar assim. Eles se perderam na maneira de atuar, certamente pedida e discutida nos treinos e na preleção. Até porque se não fosse isso o que Felipão queria, ele teria mudado após o intervalo. Ocorre que o time continuou dando chutões, entregando a bola para o Boca.

E quando se joga dessa maneira, os riscos são imensos, principalmente no segundo tempo, quando quem corre atrás da bola está mais cansado. Foi exatamente isso o que aconteceu com o Palmeiras. O time cansou de tanto correr atrás da bola e se defender. Faltou perna, deu espaços e sofreu os gols aos 38 e 42 minutos. Então, a impressão que o Palmeiras deixou foi a de ter apostado numa estratégia errada. Pagou o preço e agora ficou muito longe da final.

Longe, mas ainda vivo. Não tenho dúvidas de que o palmeirense, hoje chateado, vai ver outro time na próxima quarta-feira, no confronto da volta. Vai ver uma equipe bem mais inteligente e agressiva, buscando o gol desde o começo. Da mesma forma, terá de correr riscos. Mas não deixará de jogar como fez em Bueno Aires. De modo geral, o torcedor ainda acredita no time.

SEM NOÇÃO

Jogador que sai de campo depois de uma partida intensa como foi diante do Boca e diz que agora “é levantar a cabeça e pensar no Flamengo (próximo jogo)”, para mim é totalmente desprovido de inteligência emocional e de condição de fazer uma leitura real do cenário. Fraco mesmo. É jogador sem personalidade e que será facilmente esquecido pela história.

Ganhar do Flamengo também é importante, mas não era essa a resposta que o torcedor esperava ter dos jogadores do seu time. Foi a segunda decepção da noite.

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