Palmeiras vislumbra tempos melhores na próxima temporada

Em ano de reformulação completa, time chega a duas finais (Paulista e Copa do Brasil) e ainda tem chance de conseguir vaga na Libertadores pelo Brasileirão

Robson Morelli

18 Novembro 2015 | 08h27

No último dia de janeiro deste ano, o Palmeiras entrou em campo pela primeira vez na temporada cheio de esperança. Estreava no Campeonato Paulista contra o Audax, com vitória por 3 a 1, em seu novo estádio, com a seguinte formação: Fernando Prass no gol, Lucas e Vitor Hugo nas laterais e zaga formada por Tobio e Jackson. No meio de campo, o técnico Oswaldo de Oliveira confiava a função a Zé Roberto, Renato, Gabriel e Robinho. E na frente, o Palmeiras de 2015 tinha Allione e Cristaldo. Naquela partida, o treinador, que hoje está no Flamengo, ainda mandou a campo no decorrer do jogo Maikon Leite, Victor Luís e Leandro Pereira.

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Quatro jogos para o fim do ano no Brasileirão, com chance de ficar com uma das vagas do G-4 e da Libertadores, e mais duas partidas da decisão da Copa do Brasil contra o Santos, o Palmeiras amadureceu bastante nesse período, ganhou entrosamento, apesar de pecar em algumas partidas pelo condicionamento físico, readquiriu a confiança de seu torcedor, mesmo a despeito de apresentações ruins e derrotas em que se esperava vitórias, como a última diante do Vasco em casa. Nesse percurso, Oswaldo foi demitido para a contratação de Marcelo Oliveira, que transpira a camisa para obter melhor rendimento do elenco. Exceto pela fama que o comandante trouxe do Cruzeiro, há ainda muita desconfiança do seu trabalho no sentido de que o grupo poderia render mais. Alguns cartolas do clube torcem o nariz pelo seu trabalho.

O teste de fogo de Marcelo Oliveira está nessas partidas que faltam ao Palmeiras no ano. Melhorar sua posição no Brasileiro, de modo a ganhar os confrontos com Atlético-PR, Cruzeiro, Coritiba e Flamengo já daria a ele mais tranquilidade para 2016. Da mesma forma, o torcedor espera melhor sorte contra o Santos nos jogos da Copa do Brasil. O que Marcelo Oliveira tem de fazer, por um caminho ou por outro, é garantir o Palmeiras na Libertadores. É isso que o torcedor sonha e cobra. Ganhar título é sempre bom, mas não estava no enredo do clube nessa temporada. E olha que o Palmeiras foi vice do Paulista e já tem a mesma posição assegurada na Copa do Brasil. Para um elenco que começou do zero, até que está razoável. É preciso analisar o cenário como um todo. Só contratar, como fez durante o ano, não dá ao clube a condição de conquista. É preciso mais para isso.

Nessa temporada, o Palmeiras ainda ganhou no relacionamento do seu estádio com o torcedor. O Allianz Parque estão sempre cheio, apesar de praticar preços salgados. O torcedor vai ao estádio por causa do conforto e também do rendimento time. Desse ponto de vista, o ano também tem sido proveitoso para o clube. Por fim, o Palmeiras tira proveito de seus dois principais parceiros, a Adidas, que fornece o material esportivo, e a Crefisa, que já investiu pesado, na casa dos R$ 100 milhões em reforços e também em reformas pontuais na Academia.

Por um desses descuidos por falta de habilidade e de pensar com o coração e não com a razão, o presidente Paulo Nobre quase coloca tudo a perder com a patrocinadora ao alimentar a ideia de fazer uma camisa do time alusiva à Parmalat, patrocinadora de outras épocas. A escorregada de Nobre foi rapidamente corrigida por ele próprio depois do esfregão que tomou da dona da empresa que assina a camisa atual. Se faltou habilidade na discussão do projeto, não faltou ao cartola na hora de voltar atrás e repensar o pensado.

O lugar-comum nesse fim de ano, apesar da ansiedade do torcedor com o time e da necessidade de que poderia estar melhor posicionado no Nacional, não fosse pelos tropeços bobos dentro de casa, diz que esse Palmeiras poderá navegar em mares mais calmos em 2016, com conquistas e melhores apresentações. Para isso, no entanto, a diretoria precisa ajudar, não errar e manter a base que se formou das 25 contratações do ano. Simples assim.

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