Palmeiras volta à estaca zero, sem treinador, sem projeto e sem convicção de nada

A conta desse fracasso não pertence só a Roger Machado, tem parte do presidente e do diretor de futebol Alexandre Mattos

Robson Morelli

26 de julho de 2018 | 09h56

Escrevi neste mesmo espaço que a parada da Copa do Mundo iria expor muitos treinadores no futebol brasileiro. Porque eles teriam tempo para trabalhar e seriam cobrados não só por resultados, mas também por apresentar equipes melhores, com mais jogadas, entrosamento, individualidade e trabalho coletivo. Nada disso aconteceu com Santos e Palmeiras. Então, Jair Ventura e Roger Machado foram demitidos, em duas semanas após o Mundial. Vem mais aí.

Para o badalado Palmeiras isso parece ser mais uma cravada no coração. De novo, o Palmeiras fica sem treinador, sem projeto, sem convicção de nada no futebol. Tem um elenco de médio para bom e não consegue nada. Nesse caminho torto há a Libertadores que o clube sonha em ganhar novamente. Ou sonhava. O time tem compromisso com o Cerro agora no começo de agosto pelas oitavas. Qualquer um que chegue vai precisar de tempo para conhecer o ambiente, tirar as laranjas podres (e há) do grupo. Ninguém muda treinador para ficar tudo igual.

Essa falta de rumo é assinada pelo presidente Maurício Galiotte e pelo diretor de futebol Alexandre Mattos. O primeiro parece que não entende do riscado. O segundo perdeu a mão. Deve estar pensando em outras coisas. O Palmeiras joga mal quase sempre, sofre para ganhar, ganha na bacia das almas. Não tem um padrão de jogo. Roger foi demitido, mas a culpa desse fracasso de meio de temporada não pode estar somente na sua conta. O comando tem de ser cobrado por isso também. Alguns jogadores deixaram de jogar, perderam a vontade, enganam o torcedor. Há muitos pernas de pau também no grupo. Fosse em outra época, muitos ali nem passavam perto da Academia.

Para piorar, a política no Palmeiras está rachada. Isso não é uma novidade propriamente dita, porque sempre houve facções dentro do clube. Mas agora está demais, com uma briga para saber se o estatuto deve ser mudado para o tempo do presidente, de dois anos para três. A verdade é que o Palmeiras mais uma vez está todo bagunçado.

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