Para não ser surpreendido, Corinthians precisa levar a sério o risco de ser rebaixado

Robson Morelli

15 de novembro de 2018 | 21h07

Temos de falar do risco de rebaixamento do Corinthians com mais seriedade. Nem contra nem a favor. Temos apenas fazer uma constatação que se torna real com a proximidade do fim do Brasileirão. O time de Jair Ventura, mas não só dele, é também de Jadson, Romero, Ralf e do presidente Andrés Sanchez, soma 40 pontos depois da última derrota, 1 a 0, para o Cruzeiro pela rodada 34 da competição. São três pontos da zona de rebaixamento. Opa! TRÊS pontos. Os que acham que a preocupação é demasiadamente exagerada, que ataquem a primeira pedra. Sabemos que não é, e olha que não estou levando em conta essas crenças do futebol que pregam que quando um rival vai bem o outro vai mal – lembrando que o Palmeiras está na iminência de ganhar o Brasileirão.

A primeira pergunta que se deve fazer é como um time ou clube que ganhou tudo nos últimos anos (é o atual campeão brasileiro e paulista) pode se desintegrar durante uma temporada sem que nenhum de seus gestores impedisse isso. A segunda pergunta que alguém no Parque São Jorge poderia responder é como um dos clubes mais bem pagos pela TV, com bilheteria sempre em sua carga mais próxima do total, com patrocinador e bom fornecedor de camisas, do tamanho que o Corinthians se tornou, e com uma torcida que não sabe mais o que é sofrer, como em décadas passadas, não se deu conta de que a vaca estava indo para o brejo, mansamente como um animal é conduzido ao matadouro.

Pois chegar às últimas quatro rodadas da competição com essa corda no pescoço prova que ninguém no Corinthians fez a sua parte. E não me venha com a desculpa de falta de dinheiro. O dinheiro existe, só é ou foi mal administrado. Sumiu? Gastou-se mais do que foi arrecadado? Escapou pelo ladrão? Foi investido em algo que não sabemos?

O presidente e seus pares precisam dar algumas explicações. Não a mim, mas para sua torcida e parceiros. Ou não deve?

Dentro de campo, não precisamos falar muito. Todos nós estamos vendo a fragilidade de um elenco passado e ultrapassado, com alguns bons jogadores individualmente, mas que não conseguem fazer nada em grupo. Há mais atletas ruins do que bons sob o comando de Jair Ventura, que também me parece, depois de algum tempo em São Paulo, mais perto dos nossos olhos, que precisa comer muito arroz com feijão para ganhar reverência. O que fez com o Botafogo foi um lampejo de bom trabalho, não confirmado no Santos, tampouco agora nesse Corinthians ameaçado, frágil e sem forças.

Os corintianos precisam levar essa possibilidade, de cair, muito a sério, até para não ser surpreendido, de novo. Três pontos. Três pontos separam o time do primeiro rival na zona de rebaixamento. É uma rodada.

Tudo o que sabemos sobre:

futebolCorinthiansbrasileirao

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.