Pato deixa ser um menino mimado e se torna um profissional sério e envolvido

Por isso ele merece mais respeito de São Paulo e Corinthians, que não se manifestam sobre seu futuro. O atacante do Morumbi não sabe o que vai acontecer com ele em dois meses

Robson Morelli

25 de setembro de 2015 | 11h13

Aos 26 anos e com os gols que anda fazendo no São Paulo, 24 só nesta temporada, Alexandre Pato faz por merecer ser lembrado por Dunga na seleção brasileira e ser tratado como profissional sério e envolvido que demonstra ser no Morumbi, e não mais por um moleque mimado e rico, que deu certo até então na carreira e que foi prejudicado por uma série de lesões na Itália. É claro que me refiro à forma com que Corinthians e São Paulo sinalizam para o jogador em relação ao seu futuro. Ocorre que não há futuro para o atacante nem de um lado nem de outro, salvo uma mudança no cenário atual. Pato está largado e ele não merece isso nem se continuasse sendo aquele menino de ar desinteressado e no mundo da lua.

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A situação hoje é a seguinte: o Corinthians tem seu contrato de trabalho até dezembro do ano que vem. O São Paulo tem o contrato de Pato até dezembro deste ano. Seu salário está sendo pago pelos dois clubes de forma igual, 50% para cada lado, totalizando estimados R$ 800 mil se não for atrelado ao dólar – porque com o aumento da moeda estrangeira, qualquer jogador cujo pagamento seja atrelado à moeda norte-americana está ganhando bem mais, na ordem de 1 por 4. Não há clima para Pato voltar ao Parque São Jorge, embora ele próprio nunca foi pego dizendo isso. Também não vejo problema no convívio de Pato com os jogadores corintianos. A desavença está no andar de cima, entre os cartolas e suas briguinhas de bastidores com os rivais do Morumbi. Só que isso prejudica o atleta.

O Corinthians fez de tudo para vendê-lo e continuará nessa pegada até que uma boa oferta, ou média, seja oferecida ao clube. O São Paulo adoraria continuar com Pato no elenco desde que as condições fossem as mesmas atuais, por empréstimo e pagando ‘apenas’ R$ 400 mil por mês. O Corinthians, claro, se sente prejudicado no acordo, mesmo tendo ficado com Jadson. Paga metade do salário do atacante para ele ser artilheiro do adversário na temporada. Se parar para pensar, é mesmo negócio absurdo no futebol. Pato gosta de dizer que está focado no trabalho do São Paulo e que tem gente inteligente cuidando de sua carreira. Mas admite também sua preocupação com o futuro.

Gostava muito de ver Pato nos dois primeiros anos no Milan, para onde foi depois de brilhar precocemente no Internacional de Porto Alegre. Era um orgulho ver o atacante com a camisa de um dos principais times da Itália, e ainda novinho. Uma série de lesões, contudo, o fez perder espaço e a confiança do torcedor italiano. Foram 16 lesões ao todo. Ninguém mais na Itália acreditava no jogador que já havia feito 150 partidas pelo Milan, com 63 gols. Foi nessa condição que o Corinthians apareceu em sua vida, numa negociação arrojada para os padrões nacionais, concordando em pagar R$ 40 milhões (15 milhões de euros) na época pelo jogador, que poderia ajudar o clube em duas frentes: em campo e no marketing. Não deu certo em nenhuma delas.

Pato agora trabalha por ele, pelo seu futuro e ganhos. Sabe que quanto mais aparecer com seus gols (foram dois diante do Vasco na vitória por 3 a 0 pelas quartas de final da Copa do Brasil), mais chance terá de se ajeitar fora do Itaquerão e do Morumbi, e quem sabe voltar para a seleção, a de Dunga ou a de qualquer outro treinador que por ventura assuma seu lugar. Quem sabe!

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