Paulistão se apequena ao permitir duas partidas do São Paulo das quartas de final no Morumbi

FPF decide que o time de Rogério Ceni vai enfrentar o Linense em seu estádio, na ida e na volta

Robson Morelli

30 de março de 2017 | 13h26

Não vou colocar a responsabilidade somente na FPF. É dela, mas também dos clubes, principalmente do Linense e do São Paulo, embora tenha a conivência dos representantes dos outros finalistas, como Corinthians, Santos e Palmeiras, só para citar os mais fortes e expressivos. Ficou decidido nesta quinta-feira as datas, horários e locais dos jogos da primeira fase mata-mata do Paulistão. Os duelos são: Novorizontino x Palmeiras, Botafogo x Corinthians, Linense x São Paulo e Ponte Preta x Santos.

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A pedido do Linense, com o SIM do São Paulo e conivência da FPF e dos outros clubes,o São Paulo fará as duas partidas decisivas no seu estádio, com a presença de sua torcida, num campo que conhece bem. O pedido da Linense para isso foi motivado por um único objetivo: ganhar dinheiro. Dessa forma, assumiu seu lugar de time pequeno que é, rasgou o interesse de competitividade que o sustentou até o fim das 12 rodadas inciais, abriu mão de ser mais forte em sua casa para ganhar dinheiro, deu um NÃO para sua torcida, para os empresários da região e para qualquer tradição que tinha, por menor que ela fosse.

O São Paulo, por sua vez, concordou prontamente com o pedido, tentando levar vantagem em fazer as duas partidas no Morumbi, certamente. Perdeu a chance de moralizar a competição que tanto preza e guarda com carinho em sua história. Porque não é correto fazer uma decisão de mata-mata em casa nos jogos de ida e volta. Seus dirigentes acham isso bom para o esporte, para a competição, para o futebol. Acham isso normal. Não é. O presidente Leco está errado em aceitar isso. O São Paulo será beneficiado.

Os outros clubes participantes da reunião não deveriam concordar com a decisão. Claro, porque o regulamento diz que a somatória dos pontos nas fases decisivas vai continuar dando aos mais bem colocados o direito de jogar em casa a partida derradeira. Ou seja: se o São Paulo somar seis pontos, poderá passar à frente dos concorrentes nas outras etapas. Os cartolas dos outros times classificados jogaram contra suas próprias equipes. Foram fracos politicamente.

Por fim, a FPF assinou em baixo todas essas decisões, dando um tiro no próprio pé em relação ao fortalecimento do Estadual. Todos se apequenaram. O espírito competitivo se perdeu.

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