Paulistão tem semifinalistas definidos: Palmeiras x Ponte e Corinthians x São Paulo

Santos perde nos pênaltis para o time de Campinas e deixa escapar a chance do tricampeonato

Robson Morelli

10 de abril de 2017 | 22h56

O Paulistão vai ter duas semifinais à altura de sua tradição, com rivais interessados em ganhar, de fato, a competição como nos velhos tempos. Sim, tem muita coisa errada ainda nos Estaduais, como sua duração e a participação de times fracos e sem condições financeiras e técnicas. Isso para não mencionar os árbitros despreparados, como o senhor de amarelo que comandou Santos 1 x 0 Ponte Preta, para 37 mil torcedores no Pacaembu. Mas o que vem por aí pode salvar mais uma vez a competição e gerar aquela dúvida no torcedor se o Regional deve ou não acabar. Refiro-me aos jogos em São Paulo, particularmente. A semifinal vai colocar frente a frente Palmeiras e Ponte Preta, com partidas de ida e volta, sendo a primeira em Campinas, nesse fim de semana de Páscoa. No outro jogo, nitroglicerina pura: São Paulo e Corinthians, rivais e inimigos no mesmo confronto – o primeiro jogo é no Morumbi.

A Federação Paulista decide nesta terça as diretrizes das disputas, dias e horários. Deverá optar por sábado e domingo, para atender aos interesses da televisão. Seria mais justo se as duas partidas fossem no domingo, no mesmo horário. O duelo no Morumbi e, depois, na Arena Corinthians terá torcida única, como manda os que não conseguem organizar coisa melhor – entenda-se a participação de duas torcidas. Palmeiras e Ponte, não. Haverá bandeiras nas duas cores.

Por ter feito a melhor campanha na somatória dos pontos da primeira fase e quartas de final, o Palmeiras tem o direito de enfrentar o quarto mais bem classificado pelos mesmos critérios. No caso, a Ponte Preta. O Corinthians fez campanha melhor do que a do São Paulo, segundo e terceiro colocados. Por isso, faz o jogo da volta em Itaquera. Os clubes devem aumentar os preços dos ingressos, de olho no interesse de seus torcedores e de gordas rendas. Não deveria ser assim. Os ingressos devem começar a ser vendidos na quarta, talvez antes. Sócios-torcedores terão prioridades.

O jogo entre São Paulo e Corinthians e Corinthians e São Paulo deve colocar a segurança pública da cidade em alerta, não nos estádios, mas nos arredores deles, metrôs, terminais de ônibus ou qualquer lugar onde haja um corintiano e um são-paulino. Sugiro uma campanha pela paz, pela vida, pelo respeito ao outro. Se nada disso servir, ao menos pela continuidade do Paulistão. Isso também se aplica aos jogadores, que, em muitos casos, entram em campo para pilhar as torcidas. Tomara não aconteça.

Em campo, a pegada também será diferente, mas não diria igual. Quem está jogando melhor vai continuar jogando melhor, e com mais chances de vencer e passar para a final. O que não quer dizer que os teoricamente mais fracos não possam aprontar. Refiro-me a Palmeiras e Ponte, porque entendo que Corinthians e São Paulo seja um duelo equilibrado, com ligeira vantagem (pequena mesmo) para o time do Morumbi, que tem melhores jogadores e um conjunto mais entrosado e que funciona melhor também.

Mas isso não quer dizer que o Palmeiras terá vida fácil em Campinas e depois em sua casa. Nada disso. É semifinal, meu amigo! É inegável admitir a força do elenco do Palmeiras e não dá para negar a qualidade de seus jogadores. É mais forte, mas não pode deixar que isso o atrapalhe na competição. Mais do que qualquer outro semifinalista, o time de Eduardo Baptista vai carregar durante toda a temporada a estrutura que montou para disputar os torneios, o poderio econômico vindo com o dinheiro da Crefisa e das rendas das partidas no Allianz Parque e a qualidade e versatilidade do seu grupo. Se ganhar, se passar da Ponte, terá feito nada mais do que sua obrigação. Se perder, será cobrado, dúvidas virão e o trabalho do treinador será colocado em xeque. A desconfiança tomará conta de sua torcida.

Na outra semifinal, Carille e Ceni terão de provar que são melhores do que já demonstraram até agora, mesmo a despeito de carreiras curtas e da pouca experiência no papel. O São Paulo ajeitou sua defesa e tem sobras no ataque. O Corinthians já tem um setor defensivo de respeito e ganha fôlego do meio para frente, com o trio JRJ, formado por Jadson, Rodriguinho e Jô – o rei dos clássicos nesta temporada. Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Ponte Preta mereceram estar onde estão. O Paulistão vai começar.

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