Phelps deixará saudades no Rio de Janeiro

Phelps deixará saudades no Rio de Janeiro

Campeão fecha o ciclo nos Jogos do Brasil

Robson Morelli

13 Agosto 2016 | 15h54

Aos 31 anos e envergado de tantas medalhas olímpicas no pescoço (são 27 sem contar o revezamento do 4 x 100 medley da noite de sábado, se o time dos EUA subir ao pódio), só de ouro são 22, Michael Phelps encerra pela segunda vez sua carreira, e deixará saudades no Rio de Janeiro. Nunca houve ninguém como ele dentro das piscinas, mas não descarto a possibilidade de surgir outro, sabe-se lá quando, afinal, estamos esperando por outro Pelé há décadas.

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Phelps nasceu para nadar, e nadar rápido. Garoto ainda, colocou na cabeça que seria campeão das piscinas mundiais e olímpicas e cumpriu sua missão com maestria. Para os brasileiros, é um prêmio vê-lo terminar esse ciclo nos Jogos do Rio, com quatro ouros e uma prata e ainda faltando nadar a última prova. Phelps tem no currículo cinco Olimpíadas. Diz que estará no Japão, em 2020, mas fora da água.

No Brasil, foi possível ver um Phelps mais família, com a mãe, mulher e filho, mais junto do time dos EUA, reverenciando os rivais e agradecendo os aplausos do público. Não fosse o fenômeno que é, poderia até se passar por um cara normal, o que nunca será. Muitas gerações vão falar de Phelps. Ele será lembrado para sempre.

Phelps também é um tapa na cara de muitos atletas, inclusive do Brasil. Thiago Pereira é o nosso maior rival do norte-americano e não viu sequer o campeão dentro da piscina. Chegou em sétimo na prova em que Phelps dominou. Aos outros, falta treinar, ter confiança, competir com os melhores do mundo. Nossas comparações no País são pífias. O mesmo pode-se dizer das Américas, nos Pan-americanos. Tudo isso é nada. Tudo isso é pulverizado nos Jogos.

Se os nadadores do Brasil quiserem brilhar um dia em Olimpíadas, terão de sair do País. Competir com os melhores dos EUA, Rússia e Europa. De nada adianta ser mais rápido em competições pequenas, com índices sul-americanos apenas. O Brasil peca por isso. Nossos nadadores precisam começar agora o ciclo olímpico se quiserem alguma coisa no Japão em quatro anos. Phelps não é parâmetro porque ele não é desse planeta, como não eram Pelé e Jordan. Mas esses ‘fora de série’ deixam um caminho a ser seguido.