Polícia do Rio causa constrangimento a briguentos da Organizada do Corinthians

Já não era sem tempo. O problema é que isso só aconteceu no Maracanã porque um policial foi ferido na confusão com os corintianos. Esse tipo de comportamento deveria ser também quando torcedores rivais brigam

Robson Morelli

23 Outubro 2016 | 22h43

A polícia do Rio está acostumada a subir o morro e colocar traficante para correr. Portanto, tem mais do que experiência para lidar com torcedores uniformizados de futebol, dos clubes cariocas ou dos visitantes, como foi o caso neste domingo no Maracanã em relação à torcida do Corinthians. Depois da confusão em que os corintianos enfrentaram os policiais e quebraram grades do estádio, recém-aberto após os Jogos Olímpicos, a PM tratou de agir com métodos convencionais. Manteve todos os torcedores corintianos sentados em seus lugares. Pediu para que todos tirassem as camisas e permanecessem de cabeça baixa, típico comportamento de comando para lidar com presos em rebeliões.

De acordo com o comando da polícia do Rio, foi feito desse modo para que se identificasse o grupo que brigou, pelo rosto e pelas tatuagens. No fim da procura, 40 corintianos foram presos e não puderam retornar com os ônibus que partiram de São Paulo. O constrangimento, contudo, atingiu a todos, homens e mulheres que estavam com o bando. A maioria não se envolveu na confusão. Os flamenguistas, poucos, se aproximaram da confusão quando ela ocorreu e provocaram. Não foram detidos.

O fato é que pela primeira vez esse tipo de comportamento da PM foi visto pelas câmeras de TVs num estádio em jogo importante. O costumeiro 45 minutos de espera para deixar o estádio levou três horas, até que todos os envolvidos fossem identificados. Depois disso, a PM foi liberando os corintianos por ordem de fileira, permitindo que recolocassem suas camisas. Eles saíram quietos, alguns de mãos para trás, mostrando obediência e respeito. Cena inimaginável em relação a torcedores uniformizados no futebol.

Se houve abuso de poder, e de constrangimento, isso deverá ser investigado pelos superiores da polícia. Mas o fato é que o trabalho da PM funcionou e deu exemplo, prendeu os envolvidos e liberou os outros organizados, de modo a servir de modelo para os que ainda vão aos estádios para brigar. O comando da polícia do Rio disse que passou a semana trocando e-mail com os líderes da torcida do Corinthians, fez sua parte ao escoltar o grupo no Rio e o conduzir ao Maracanã. Mas não teve apoio deles dentro do Maracanã.

O policial ferido não precisou ser levado para um hospital. Ele passa bem.