Por que o São Paulo não é mais competitivo, vive sendo eliminado e não ganha títulos desde 2012?

Time vence Lanús no Morumbi por 4 a 3, mas combinação de resultados das duas partidas não é suficiente para mantê-lo na Sul-Americana

Robson Morelli

05 de novembro de 2020 | 09h15

Não se trata de sapo enterrado no Morumbi nem falta de sal grosso. Essas mandingas já não cabem mais no futebol brasileiro. Fosse ainda em outras épocas, o São Paulo estaria sendo gozado por um fila de oito anos sem conquistar nada. No fundo, os torcedores fazem essa conta. A última vez ocorreu em 2012, na Sul-americana. Mas o que então pode explicar essa ‘eterna’ crise no time do Morumbi? Não há apenas um fator, há uma série de fatores.

TROCA DE TREINADORES
O São Paulo ganhou seu último Paulistão em 2005. De lá para cá, o time teve 35 treinadores, entre interinos e efetivos. Ninguém deu certo. Fernando Diniz está no cargo há pouco mais de 1 ano e sempre esteve com a corda no pescoço, ameaçado de ser demitido semana sim semana não. Essa falta de clareza da diretoria em relação às opções atrapalha, vai para dentro do vestiário, enfraquece quem tem de tomar as decisões de campo. Diniz não vai ficar após as eleições. E será mais um na lista.

ELENCOS
O São Paulo tem apostado alto em jogadores errados. Repatriou alguns deles e não obteve sucesso. Gastou vela com santo ruim. Também preferiu nesses anos todos vender jogadores para a Europa, fazer dinheiro e enfraquecer o time. Fez sabendo exatamente o que estava fazendo. Rogério Ceni sofreu com isso quando esteve à frente da equipe. Foi perdendo jogadores para o mercado. Antony foi o mais recente dessa garotada a sair.

MEDALHÕES
Alguns jogadores que chegaram para segurar o rajão, não deram conta. Alexandre Pato foi um deles. Hernanes não atua. Daniel Alves demora para ser o cara que todos esperavam que fosse. Alterna boas e más apresentações, mas nunca foi um 10 com o peso que a camisa representa. Até no gol o São Paulo errou feio antes de Volpi se firmar. O clube apostou em jogadores para compor elenco e esse é um erro em toda a administração.

GESTÃO
O trio Raí, Lugano e Leco não deu certo. Isso não quer dizer que eles sejam profissionais ruins. Todos já fizeram muito pelo São Paulo. Mas bateram cabeça ao longo da gestão, tomaram caminhos errados e nunca foram capazes de domar o vestiário. Todos estiveram para sair do cargo antes da troca de presidente. Algumas decisões foram tomadas no calor das discussões, um erro em qualquer cartilha de comando. Mas nem tudo pode ser colocado nas costas de Leco. Outros presidentes foram péssimos, como Carlos Miguel Aidar e até Juvenal Juvêncio em sua última das três gestões, de 2011 a 2014. O time foi se apequenando. Sua estrutura foi sendo superada. O dinheiro desapareceu. Patrocinadores reduziram as cotas.

TORCIDA
A torcida virou inimiga. Em nenhum momento, os torcedores abraçaram o time independentemente da situação, como fizeram outras agremiações quando seus respectivos clubes foram rebaixados. O São Paulo sempre foi criticado. Houve invasão de CT, cobrança no Morumbi, dedo na cara de dirigente, perseguição nas redes sociais… O time nunca trabalhou com tranquilidade e paz. Para ganhar, para voltar a ser finalista, é preciso rever alguns conceitos dessa parceria, independentemente de quem seja o presidente.

LÍDERES
Falta ao São Paulo gente para admirar e seguir, dentro e fora de campo. Raí não foi esse cara, apesar de todo o seu carisma entre os são-paulinos e sua história. Lugano trabalha nos bastidores. Leco e os últimos presidentes também não conseguiram mover montanhas. Em campo, da mesma forma, o time não tem um capitão de verdade, líderes de respeito, como eram Lugano e Raí quando atuavam. Não tem um xerife. Um cara que compra as brigas e defende o grupo. Parece cada um fazendo o seu, sem se comprometer, baixando o olhar quando o assunto é mais sério. Deixando o tempo passar. Time que não tem jogador ‘porreta’, não chega a lugar nenhum.

O QUE FAZER?
Apostar nas mudanças com as eleições. É preciso limpar o elenco. Rever salários altos e fazer um caminho para pagar as dívidas. Continuar valorizando a base. Mudar os dirigentes no futebol. Encontrar um treinador que consiga trabalhar em paz. Se aproximar da torcida. Dar novas diretrizes aos principais jogadores. Recuperar os que estão desmotivados. A mudança vai trazer esperança, mas ela não pode se perder nos primeiros meses. Neste ano, apostaria na Copa do Brasil.

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