Por que Tite corre risco caso o Brasil não ganhe a Copa América em casa?

O Brasil parece estar sempre na estaca zero, e já são três anos no comando da equipe

Robson Morelli

02 de julho de 2019 | 14h28

Sem garantias… Ninguém sabe ao certo se Tite permanecerá no comando da seleção brasileira caso o time fracasse nesta Copa América, pode ser diante da Argentina, nesta terça-feira, no Mineirão, ou numa provável final no Maracanã domingo contra o finalista do jogo entre Chile e Peru. Não há garantias de nada, como nunca houve na CBF, nem pelo presidente Rogério Caboclo nem pelos seus antecessores. Não há porque não existe um trabalho a longo prazo.

Ganhar, ganhar, ganhar… E não existe um trabalho a longo prazo porque todos só pensam em ganhar. Por exemplo, o time está pressionado para vencer esta Copa América. Tite está ansioso para passar pela Argentina e chegar ao menos a uma final nesses três anos à frente da equipe. O imediatismo atropela nossa organização no futebol, mas não é somente isso. Tite corre risco porque seu trabalho se perdeu.

Estaca zero… Ele está confuso, como a seleção dentro de campo. Depois de três anos no comando, uma Eliminatória e uma Copa do Mundo, a da Rússia, no currículo, já era para o Brasil estar numa situação mais confortável, com padrão tático definido, com jogadores certos e não sendo testados, salvo uma revelação ou outra que normalmente aparece pelo caminho, com gente que vai “durar” até a Copa do Catar, em 2022. Ocorre que a seleção não tem nada disso. Nada.

Um time em teste… O time parece um amontoado em campo, sem convicção sobretudo do meio de campo para frente. A defesa está mais organizada e alguns atletas, como Casemiro, parecem definidos na posição. O resto tudo é teste. Pior. Tite perde membros de sua comissão e se vê abandonado no cargo. Jamais admitirá isso. Mas era para todos seguirem até o Catar. Se um roeu a corda é porque a engrenagem não está tão sólida como se pensava.

Meu garoto… Tite promove seu filho na comissão técnica. E isso soa mal. Moralmente não combina. Nada contra o rapaz, mas não combina. O presidente em exercício da CBF, Rogério Caboclo, não escolheu Tite, embora tenha renovado seu contrato após a Copa do Mundo. Pode mudar e isso não pesará contra seus princípios. Afinal, não foi ele que o escolheu a primeira vez.

Desgastado… A própria confiança da torcida no treinador já foi embora. Não é mais a mesma de quando ele assumiu. Nem nunca será mais. Desgastou. Então, há motivos sim para Tite temer pelo emprego caso não ganhe a Copa América. Pode, no entanto, não acontecer mesmo se ele perder a competição. Mas aí Tite terá de mostrar mais coragem do que vem mostrando, ser mais treinador e menos paizão, cobrar mais e querer agradar menos…

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