Pouco coisa mudou na ‘reestreia’ da seleção de Dunga, mas agora há pontas

Time bate a Costa Rica por 1 a 0, com gol de Hulk. Movimentação ainda é bagunçada e time ainda não fica com a bola como deveria

Robson Morelli

05 de setembro de 2015 | 19h51

O Brasil de Dunga voltou a jogar depois da eliminação na Copa América e do retorno para casa com sentimento de mais um fracasso, como foi na Copa do Mundo de 2014. Pouco coisa mudou no time depois daquela tentativa de reunir personalidades do futebol na sede da CBF. Mantido no cargo, Dunga ainda tenta encontrar um caminho para a seleção. As peças que usa não são ruins, pelo contrário. Todos os jogadores sabem jogar e são reverenciados em seus respectivos clubes. Então por que o Brasil não vai?

Porque Dunga não tem boas ideias para esses jogadores. Porque os jogadores não são usados como atuam em seus respectivos times. Porque o meio de campo, os volantes, são marcadores e têm dificuldades para jogar de cabeça erguida, olhando para frente e não para trás, ou para o lado. Nada contra Luis Gustavo e Fernandinho. Eles são importantes e foram ‘criados’ com a mentalidade de destruir e não construir. É isso que precisa mudar na cabeça de Dunga. Há outras opções para marcar no meio, como Elias e até Lucas Lima, que sabe jogar também.

A defesa ainda está enrolada. Começo a ter dúvidas se David Luiz tem mesmo pegada para jogar no Brasil. Ele ‘bagunça’ tudo. Joga fora de posição. É voluntarioso e isso é bom, mas cada vez que sai da sua posição, deixa brechas e embola com outros do time. Marcelo foi mais efetivo que Danilo nas laterais. Mas já conhecemos Marcelo, né? Não é um jogador que decide nada. Trata a bola bem pra caramba, mas não evolui. Faz boas jogadas, mas elas morrem nos seus pés.

Ganhar da Costa Rica por 1 a 0 não quer dizer nada. Como não diria se ganhasse de 10 a 0. O que o Brasil precisa ter nessa fase, nessa retomada de olho nas Eliminatórias para a Copa da Rússia, é encontrar uma forma de atuar, ficar com a bola sem medo, acertar mais passes, ter jogadas, sair sem pressa quando não precisa ter pressa e em velocidade quando tiver espaço. Ganhar amistoso não significa mais nada para o torcedor brasileiro. Dunga chegou à Copa América do Chile com um punhado de vitórias e deu no que deu.

O que vi de interessante no time sem Neymar, que está suspenso nas Eliminatórias e por isso o treinador optou acertadamente em montar uma equipe sem o craque, foi contra-atacar pelas pontas com Willian na direita e Douglas Costa na esquerda.  Isso dá um padrão ao time. Também gostei da volta de Hulk, mais maduro e sem tanta afobação como se viu na Copa do Mundo, com Felipão. Até fez o gol da vitória. Não é o Brasil que todos queremos ver. Mas os jogadores estão aí. Basta saber mexer com eles. Por fim, Kaká teve participação razoável, com boas jogadas e mais inteligência que os concorrentes. Mas ainda é cedo para suspirar pelo meia do Orlando City. Ele está muito disposto e vê essa chance com a seleção a última em sua carreira, principalmente pelos 33 anos.

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