Presidente do São Paulo vai na ferida e promete reformulação de cima para baixo

O recado é direcionado para o elenco, para jogadores que não estão correndo, tampouco de esforçando em campo. Basta ver as partidas do time

Robson Morelli

24 Novembro 2015 | 09h36

O toque de bola descomprometido no gramado do Itaquerão quando o São Paulo já perdia de 3 a 0 para o Corinthians vai incomodar o são-paulino por muito tempo, a começar pelo presidente Carlos Augusto de Barros e Silva. Leco tomou a palavra após a derrota para o rival por 6 a 1 para assumir de vez o comando do clube do Morumbi. Em tom de lamento, mas duro, Leco prometeu cortar da própria carne para resgatar o São Paulo, não do fundo do poço da tabela, mas do que ele chamou de ‘falta de comprometimento de alguns jogadores’. O recado é direcionado. O cartola prometeu uma limpa no elenco talvez sem precedentes na história recente do clube, contrariando a tradição das últimas temporadas.

O São Paulo nunca foi de lavar roupa suja em público, mas foi exatamente isso que Leco fez. Ele, e seus pares, identificou uma série de jogadores que não merecem vestir a camisa do São Paulo, menos por condição técnica e mais por falta de entusiasmo de querer ganhar, correr, suar a camisa. O presidente demorou um mês para perceber tudo o que está acontecendo no Morumbi. Vai esperar as duas partidas finais do Nacional para fazer o serviço. O São Paulo tem grandes chances de conseguir vaga na Libertadores por meio da quarta vaga do Brasileiro. Leco não quer deixar essa chance passar. Significa muito para a próxima temporada, quando imagina que começará do zero sua caminhada à frente do clube.

Suas declarações vão provocar ansiedade no vestiário do CT da Barra Funda, onde o interino Milton Cruz comanda o time até que um novo treinador seja escolhido. Muita gente veste a carapuça. Leco prometeu apresentar um técnico nesta semana. A diretoria está dividida entre alguns nomes, como Autuori e talvez Aguirre. Leco sabe que não pode errar. Ele quer contratar um treinador que fique no mínimo até o fim da próxima temporada, de modo a começar a resgatar o São Paulo, um clube que não demitia treinador a cada fim de campeonato. As lambanças foram muitas nesta ano. Daí a necessidade de contratar de forma acertada. Levir, do Atlético, interessa também. Seu futuro, embora desenhado no time mineiro, ainda não está definido.

Leco teme que o elenco ‘amoleça’ na sequência do Nacional e perca a vaga da Libertadores após suas declarações. Por isso, vai atuar de forma mais presente no CT nesta semana e na outra. É tudo ou nada. Mesmo com tantos erros no ano, o São Paulo ainda ocupa a quarta posição na tabela, com 56 pontos.

TORCIDA
Leco enfrenta ainda a ira do torcedor. Imagina que muito dessa bronca diz respeito à saída de Carlos Miguel Aidar, que era um presidente mais próximo do torcedor organizado. Terá de resgatar isso da forma que sabe: fazendo um time melhor e se cercando de gente competente. Nesse caminho, há uma pedra: Ataíde Gil Guerreiro, pivô de toda a confusão que colocou Aidar para fora do Morumbi. Seu nome passou a ter muita resistência no clube. Leco o trouxe de volta e talvez tenha de repensar a decisão em prol do São Paulo de 2016.

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