Presidente precisa aparecer no vestiário da Academia para saber o que acontece com o Palmeiras

Elenco não volta para 2021 com a mesma pegada de 2020. E paga caro por isso com a perda de duas taças, uma delas da Recopa, e de R$ 12 milhões

Robson Morelli

15 de abril de 2021 | 09h16

Há algo errado com o Palmeiras nesta retomada de temporada. O time está disperso, longe daquele que se uniu em 2020 para ganhar três campeonatos, um deles, o Paulistão, ainda sobe o comando de Vanderlei Luxemburgo. Como tudo que é de importância deve ser gerido pelo presidente num time de futebol, o homem mais forte do clube, Maurício Galiotte precisa aparecer e descobrir o que está acontecendo. Descer para o vestiário. O torcedor não engole essa história de apenas “cansaço” ou “simples erros de pênaltis”.

Foto: AG. Palmeiras

Há mais coisas para se descobrir no vestiário. Há jogadores querendo deixar o elenco. O retorno de outros, como Dudu, pode assustar. Luiz Adriano está totalmente fora de órbita. Misturou a vida profissional com a pessoal e parece não se acertar mais. Estava com covid-19, deixou o isolamento para atender pedido da mãe, atropelou um ciclista. Não é nem de longe o jogador que já foi no próprio Palmeiras. A cabeça está em outro lugar.

Abel Ferreira, a despeito de sua competência e energia nesse começo de carreira, pilha demais o grupo. Não precisa. A expulsão de Viña foi um revide de quem não leva desaforo para casa, a exemplo do treinador português que se debate demais à beira do gramado. Ele tem sido expulso e tem pilhado o time, parece querer vencer na marra. Pega caminho perigoso.

Ele também se perde no comando no que diz respeito às cobranças de pênaltis, como o torcedor viu nas duas decisões de taças que o time perdeu nesta condição. Não há uma lista definida. Tampouco confiança na fisionomia dos cobradores palmeirenses solicitados. Falta treino? Não se sabe. A impressão deixada é que “sim”. Isso está na obrigação do treinador. O Palmeiras não se preocupou com esse detalhe. É grave para um clube da primeira divisão, que se propõe a ganhar tudo. O clima de “somos os melhores da América” não cola nem poderia ser.

Galiotte deve ajudar na leitura do desgaste de alguns atletas, da condição de reservas de outros. Há focos de insatisfação. Há grupos no vestiário, como sempre teve. Duas taças dariam mais tranquilidade a todos, até mesmo ao treinador, que assumiu sua responsabilidade: “a culpa é minha”. Talvez seja, empolgado que está. Como em todo elenco, desgastes aparecem. Ansiedade, depressão, tudo faz parte da vida do atleta nesta pandemia. É preciso juntar os cacos e saber o que o time quer na temporada. Unir as liderança. Acertar detalhes financeiros antes que fique tarde. Duas taças já foram perdidas, uma delas a da Recopa. E R$ 12 milhões deixados de ganhar.

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