Principal desafio dos dirigentes do Flamengo sem Jorge Jesus é sustentar o projeto do futebol

Jogadores bem pagos terão de assumir o comando desse time independentemente de quem for contratado como treinador

Robson Morelli

18 de julho de 2020 | 10h28

O Brasileirão será importante para o Flamengo após a saída de Jorge Jesus. Nas primeiras rodadas, o time vai ter de dar uma resposta em campo e à qualidade ressaltada de seus jogadores, independentemente de quem esteja no comando à beira do gramado. Agora, o Projeto Flamengo está nas mãos dos atletas, todos eles comprados e tratados a peso de ouro. Há um grupo no clube do milhão. São jogadores cujo salário mensal passa de R$ 1 milhão. São desses que a torcida e a própria diretoria esperam mais. São esses que terão de conduzir o Flamengo pelos caminhos traçados por Jesus e percorridos na temporada passada.

O encanto acabou com a saída do treinador português. É passado. Não há dois treinadores capazes de fazer trabalhos iguais. Nunca houve. Portanto, qualquer um que vá para o lugar de Jesus, vai tocar o time com outra cabeça. Os nomes podem vir de fora ou de dentro do Brasil. Aqui, Renato Gaúcho é o único capaz de ajudar o Flamengo nesse projeto. Sabe falar com os jogadores, é respeitado e adora o Rio de Janeiro. Viria fácil, mas teria de deixar o Grêmio na mão. Reprovo treinador que deixa trabalho pela metade. Entendo toda a oferta e procura no mercado, mas reprovo assim mesmo.

Na minha concepção profissional, um treinador deve terminar o que começa. Sempre. E a medição é por temporada. Doze meses. Planejamento vendido deveria ser planejamento cumprido. Sou careta nesse ponto. Portanto, condeno o que fez Jorge Jesus. Ele deveria ter decidido sua vida antes de assinar com o Flamengo, negociado melhor com o Benfica lá atrás. Mas todos eles preferem negar as informações.

Vejo um segundo problema no Flamengo sem Jesus. A perda da unidade de elenco. Temo por uma debandada dos jogadores em busca de novos desafios ou mais dinheiro. Com o Mister e ganhando tudo, fica fácil segurar o elenco, motivar os atletas. Havia muito respeito e cumplicidade nesse Flamengo. Não sei se será assim. O próprio Jesus quer levar Gerson e Bruno Henrique para o Benfica. Quem está na reserva pode querer sair. Quem tiver oferta de fora pode pedir para ir embora. As próximas semanas serão decisivas para esse Flamengo. Sua diretoria terá de mostrar competência para tratar de tudo isso a contento, de modo a continuar como o melhor time do Brasil.

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