Professores reprovados

Robson Morelli

30 de novembro de 2010 | 09h05

Esse Campeonato Brasileiro, ainda sem definição embora o Fluminense já prepara sua festa domingo no Engenhão, serviu para tirar um pouco da pompa dos treinadores brasileiros. Formou-se um grupo de elite no País de técnicos que não aceitam ganhar menos que R$ 400 mil/ R$ 500 mil de salário por mês.  Sempre digo que o culpado é quem paga, mas esses profissionais descobriram brechas nos clubes, a necessidade de ganhar títulos e a sempre desarrumada cozinha de casa, para pedir mundos e fundos e serem contratados por cifras astronômicas.

O Palmeiras é o grande exemplo negativo desta história. Teve Luxemburgo, Muricy e Felipão e acabou a temporada sem ganhar nada, a não ser um rombo em seus cofres. Bem pouco tempo atrás, os presidentes dos quatro grandes de São Paulo (Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos) conversavam no sentido de estipular um teto salarial para seus treinadores. A ideia naufragou. Uma pena. Esse Brasileiro provou que técnico não ganha jogo.

Em alta, podemos destacar Muricy Ramalho, Renato Gaúcho e Dorival Júnior. O primeiro tem tudo para ser campeão, seu quarto título nacional. O segundo tirou o Grêmio do buraco e pode levá-lo para a Libertadores em 2011. E Dorival acertou o Atlético Mineiro e ajudou a evitar que o Galo caísse para a segunda divisão.

Em baixa, precisando de reciclagem urgente, estão Luiz Felipe Scolari e Vanderlei Luxemburgo. Felipão levou o Palmeiras a lugar alguém nestes meses em que esteve à frente do time. Fracassou no Brasileiro, na Sul-Americana e na tentativa de montar um grupo. Em outra época, tirava suco de pedra. Não tira mais. Luxa deixou o Galo em péssimas condições e não conseguiu arrumar o Flamengo, que escapou do descenso graças aos resultados de outras equipes.

O campeonato então foi bom para desmistificar o trabalho desse ‘professores’ ou desses que se acham ‘professores’. É preciso repensar a importância de um técnico no elenco.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.