Quando recuar é o melhor gesto no esporte, a exemplo de LeBron na NBA e outros atletas nos EUA

Quando recuar é o melhor gesto no esporte, a exemplo de LeBron na NBA e outros atletas nos EUA

Há coisas na sociedade que valem muito mais do que os direitos e obrigações de jogos, como disse a tenista Naomi Osaka ao se recusar a entrar em quadra na semifinal de Cincinnati

Robson Morelli

28 de agosto de 2020 | 11h00

Ainda repercute pelo mundo o gesto de atletas da NBA, como LeBron James, e de outros esportistas, como a tenista Naomi Osaka, de se recusarem a entrar em quadra em protesto contra o racismo nos Estados Unidos. A decisão foi quase que imediata após um cidadão negro de nome Jacob Blake ser atingido pelas costas com sete disparos de arma de fogo de um policial. A cena, gravada como tudo é gravado hoje em dia, correu o mundo, num dos episódios mais trágicos da policia dos EUA. Havia três crianças dentro do carro. Dentro de uma bolha na Disney, impossibilitados de deixar o locar por causa da covid-19, os jogadores de NBA decidiram não jogar. Manifestaram-se em grupo e individualmente e pediram atenção ao povo americano nas eleições do país, numa clara cobrança a tudo o que o presidente Donald Trump faz no comando. No tênis, no soccer, no basebol e em outras modalidades esportivas, o recado foi o mesmo.

LeBron, uma voz negra de referência nos EUA, disse que “era difícil ser negro nos EUA”.

O gesto desses personagens importantes do esporte mundial foi exemplar. Mostraram quando recuar é o melhor caminho para se posicionar, logo eles, esportistas, criados para competir e vencer dentro das regras do jogo. Mas todos se acharam no dever de recuar, o que não quer dizer abandonar o barco ou deixar de lutar. Recuaram estrategicamente para mostrar ao mundo que é hora de um BASTA. As questões raciais talvez nunca foram tão sentidas como nesse momento. Parar era necessário para o mundo prestar atenção. Foi o que fizeram, mesmo que só por um dia.

Há esportistas do mundo todo botando a boca no trombone. Pelos menos os de mais personalidade. Negros e brancos. No Brasil, essa onda já chegou em outros episódios, mas não dessa vez. Pelo menos não nas rodadas do meio de semana do futebol.

O que deve ser destacado também é a rapidez com que todos eles na NBA se organizaram de modo a conseguir fazer o ato em um dia, quase que imediatamente depois que a decisão foi encampada. Essa é nova velocidade do mundo e da informação. Da coragem imediata, que não espera, que passa se alguma coisa não for feita, que pede pela manifestação e engajamento. Esporte e política estão cada vez mais associados. Os atletas são vozes de peso no cenário. É cobrado deles também posicionamentos que nunca tiveram. Ou nunca se manifestaram em público. Eles têm o apoio de seus times.

Falta, no entanto, uma liderança mais carismática na luta contra o racismo nos Estados Unidos e pelo mundo. As vozes se misturam, as pessoas estão nas ruas, os atletas reclama e agem, mas ainda é preciso mais. Não dá para não pensar nos líderes de outrora, como Martin Luther King ou Nelson Mandela, a quem vi uma única vez na Copa do Mundo da África do Sul em 2010.

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