Quer um exemplo do problema do calendário do futebol brasileiro? Regionais x Copa do Brasil

A CBF tinha de oferecer semana livre para quem está nas finais dos regionais. Isso explica também a qualidade ruim do futebol brasileiro no momento

Robson Morelli

17 de abril de 2019 | 11h48

Hoje tem Chapecoense x Corinthians e Santos x Vasco pela Copa do Brasil. Partida de ida da quarta fase da competição. Ocorre que o time de Carille e a própria Chape estão enrolados com as finais dos seus respectivos torneios estaduais, assim como o Vasco, que enfrenta o Flamengo na decisão do Cariocão. Ora, essas equipes deveriam ter a semana para trabalhar, recuperar seus atletas, tramar jogadas, ensaiar pênaltis, falar com a mídia, descansar seus jogadores mais esgotados, enfim, deveriam ter uma semana de preparação para a partida derradeira, aquela que vale taça. O time se preparou os quatro primeiro meses para um campeonato e quando ele chega na decisão, tem de dividir sua atenções com outro torneio também importante e com jogo mata-mata.

Não deveria ser assim. É também por isso que o futebol brasileiro está uma porcaria. Fraco, feio e ruim. A atenção do treinador está dividida, assim como a dos jogadores. Quem tem elenco grande, até consegue montar times alternativos e competitivos, mas esses são raros. Por verdadeiros milagres, algumas equipes conseguem levar as duas ou três competições e dar alegrias para seus torcedores. Veja o caso do Corinthians, por exemplo. Se o time de Carille levar a melhor contra a Chapecoense fora de casa, terá a chance de decidir sua classificação para a próxima fase da Copa do Brasil em Itaquera, em seu terreno e diante de sua gente. Vai jogar com formação mista ou reserva nesta quarta. Se perder a vaga, também deixará de ganhar dinheiro, porque a próxima etapa da competição remunera seus participantes em quase R$ 2 milhões. Perdendo, pode chegar abalado à final do Paulista. É uma bola de neve.

O raciocínio vale para os rivais que jogam neste meio de semana e decidem títulos no domingo. A CBF teria de entender isso. Teria de reorganizar melhor as datas das partidas, mudar, alterar, de modo a oferecer aos clubes envolvidos mais condições de praticar bom futebol. Essa visão e organização também teria de ser levada para a Conmebol, de modo a fazer com que as disputas sul-americanas também respeitassem o calendário brasileiro.

Se isso não for possível, o jeito é abrir mão de alguns torneios. E aí tem de ser uma escolha de Sophia.