Queremos engolir Neymar toda vez que ele vestir a camisa da seleção

Queremos engolir Neymar toda vez que ele vestir a camisa da seleção

Atacante comanda a seleção na conquista do inédito ouro olímpico nos Jogos do Rio

Robson Morelli

21 Agosto 2016 | 09h11

Neymar se iguala a Messi na façanha de conduzir a seleção de seu país à medalha olímpica. O craque argentino festejou a conquista nos Jogos de Pequim, em 2008. Neymar fez o mesmo agora, no Rio. A história de Messi e Neymar até que são bastante parecidas no que diz respeito às cobranças e atuações na Argentina e Brasil, respectivamente. Ambos provocam a desconfiança no torcedor, mas é inegável que os dois jogadores, craques na essência da palavra, são capazes de mudar a história de uma partida e sua própria dentro de campo.

NeymarDanielTeixeiraEstadaoRio570

O desabafo de Neymar na Rede Globo, ao repórter Eric Faria, após a conquista da medalha de ouro, em cadeia nacional, portanto, direcionado a todos que o criticaram, teve um ‘que’ de resposta, de ‘vocês têm de acreditar em mim, de que ‘eu erro às vezes, mas estou aqui para ajudar e fazer o melhor’, quase um ‘eu sou foda’.

Neymar calou-se após as críticas iniciais certamente porque entendeu que elas eram merecidas. Neymar não é bobo e todo jogador do seu nível sabe quando está devendo. Neymar devia. A seleção deixou a desejar nas duas primeiras partidas dessa campanha vencedora, inédita, do tão sonhado ouro olímpico. E, claro, as cobranças apareceram. Teve um garoto, e muitos outros depois, que riscaram o nome do craque da camisa num gesto espontâneo após as derrapadas iniciais.

Todo atleta aprende desde cedo a conviver com as críticas e elas sempre vão existir, assim como existem em outras áreas da sociedade. Neymar tem aprendido com elas, no Brasil e na Espanha, na seleção e no Barcelona. Em seus 24 anos, tem assimilado o que pode, melhorando constantemente no seu ritmo de aprendizado, como ele mesmo diz, sem deixar de fazer o que um menino de sua idade faz.

O Brasil quer engolir Neymar todas as vezes em que ele vestir a camisa da seleção. Não tenho dúvidas disso. Basta ele ser Neymar. O torcedor está do seu lado, sempre, o que não quer dizer que deixará de cobrar e criticas suas más atuações. Isso faz parte do comportamento da cultura esportiva do Brasil, talvez do mundo. O ‘mimimí’ que vez ou outra assume, não combina com ele. Vaias e aplausos formam os dois lados dessa moeda. O atleta, é isso Neymar já entendeu, tira a sua própria sorte. Neymar, no Maracanã, onde muitos já brilharam, fez o seu destino neste sábado, como capitão, atacante e goleador. É isso. O resto é discussão de boteco, outra paixão que nunca deixaremos de ter.

CAPITÃO
Após a conquista do ouro, Neymar garantiu que não será mais capitão da seleção brasileira. É uma decisão que o próprio jogador tomou na Olimpíada, a meu ver de forma acertada. Ele é já Neymar, não precisa ser também o capitão. Muito provavelmente recebeu a dica do técnico Tite, que assume de fato o time nesta segunda-feira.