Raí, Lugano e Leco vão sair escorraçados do São Paulo porque o time não consegue jogar e ganhar títulos

O futebol do Morumbi tem sido um triturador de técnicos, dirigentes e presidentes

Robson Morelli

30 de julho de 2020 | 11h00

O time do São Paulo é uma máquina de destruir técnicos, dirigentes e presidentes. Dois ídolos do time correm risco de deixar o clube, quando isso acontecer, escorraçados. Isso explica por que Zico nunca quis assumir nada no seu Flamengo. Falcão, como técnico, sofreu na pele quando comandou o Internacional pela última vez, clube que ajudou a colocar no cenário nacional na década de 1970 jogando. Esse é o risco de contratar ídolos.

Raí e Lugano não têm conseguido fazer esse time jogar e ganhar. Já tentaram de tudo e nada. Faz 15 anos que não festeja um Estadual, desde 2005, com 35 técnicos de lá para cá. O fardo é pesado. O próximo treinador a ir para a panela, onde já está em banho-maria, é Fernando Diniz, incapaz de arrumar a defesa do São Paulo. Como ele mesmo disse após a derrota e eliminação, não há explicação quando seu time sofre três gols em casa para um rival teoricamente mais fraco, o Mirassol, que fez festa no vestiário do Morumbi. Festa merecida.

Para o torcedor, nada funciona no clube, pelo menos no futebol. É um exagero, mas os fracassos falam mais alto. E futebol funciona assim: tem de ganhar e jogar bem. O resto é perfumaria. Ganhar campeonatos de anos em anos e tentar encher os olhos da torcida. O São Paulo não faz nem uma coisa nem outra. Raí jogou muito, mas seu trabalho parece insuficiente. Lugano da mesma forma. O torcedor vai continuar pegando no pé desses ídolos até eles caírem fora. Pela porta dos fundos.

Da mesma forma, o presidente Leco corre risco de ser pessoa non grata no clube. Ficar sem ganhar é um peso grande na história de um presidente. E ele tem batido na trave e perdido chances vexatórias. Ele não, seu time! Mas a responsabilidade cai também em suas costas. O presidente tem duas tarefas básicas no futebol, formar time e comissão técnica. Para ganhar torneios. Ele fracassa na missão. O São Paulo, como a maioria dos clubes, tem optado em vender seus melhores jogadores para fazer dinheiro. Talvez se Antony estivesse em campo contra o Mirassol, a história poderia ter sido outra. Não se sabe. Ele foi vendido para o Ajax após a retomada da pandemia.

O elenco, para mim, é o maior responsável pelos fracassos. O time não jogou nada, a defesa foi mal, o ataque não fez os gols necessários para obter a vaga. O incoerente disso tudo é que esses atletas chegam aos clubes pedindo milhões, não ganham títulos e tudo bem. Vão embora pedir milhões em outro lugar. Isso precisa mudar no futebol. No passado, sempre condenado pelo moderno, jogador só se valorizava depois de ganhar campeonatos. Que saudade!

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