Raí tenta recuperar o fôlego para continuar no São Paulo

Dirigente tem o apoio do presidente Leco e dos jogadores

Robson Morelli

25 de fevereiro de 2019 | 17h06

Não achei que fosse viver tempo suficiente para ouvir da torcida do São Paulo o cântico de protesto “Raí, pede pra sair”, numa referência ao trabalho do ex-jogador como dirigente de futebol. Talvez muitos desses que gritaram em frente ao CT da Barra Funda e ao Morumbi antes, durante e depois do empate com o Red Bull neste fim de semana nem viram Raí jogar – o camisa 10 do São Paulo encerrou sua carreira em 2000, portanto, há 19 anos. Certamente todos sabem que foi Raí: campeão Paulista em 1989, 1991, 1992, 1998 e 2000; campeão brasileiro em 1991; campeão da Libertadores em 1992 e 1993; campeão Mundial Interclubes da Fifa em 1992. Não foi campeão em 93 porque foi negociado com o PSG, da França, meses antes.

Raí está acabado. Nem ele esperava ser tratado desta forma pela torcida do time que ajudou a ser gigante. A Libertadores tem a valorização que damos a ela muito por causa do São Paulo de Raí. Talvez o ex-jogador não estivesse pronto para assumir tamanha responsabilidade, embora tenha se preparado há anos aqui dentro e fora do País. O próprio São Paulo o encaminhou em cursos no exterior, a fim de se preparar para a nova função. E ele só aceitou quando se achou pronto.

A torcida tem sua razão de cobrar o clube pelo seu momento ruim. As decisões foram tomadas de forma equivocada e muitas delas no calor do momento, o que não se deve fazer. Ocorre que Raí não pode ser o único culpado pelo fracasso do time. Há muitos mais. E até onde sabemos, ele quis segurar Aguirre e Jardine. Ou seja, jamais pensou em trocar tanto de técnico. Ele se decepcionou com Jardine, mas não queria sua saída. Leco sonhava com Cuca.

Raí tem a prerrogativa de responder aos torcedores. “Estou fora. Encontrem outro.” Vale dizer que isso explica o fato de alguns ex-atletas nunca se envolverem com seus clubes, como Zico, no Flamengo, ou Casagrande, no Corinthians. Paulo Roberto Falcão foi espinafrado pela torcida do Inter em sua última passagem como treinador. Paulo Roberto Falcão.

Raí está com o presidente Leco e, nesse momento, a parceria não será desfeita. Leco não vai concorrer às próximas eleições no clube. Então, ele tem prazo para fazer uma gestão sem se preocupar com reeleição. Precisa tomar as decisões certas, não entrar nas provocações, tampouco abusar de voos de alegria ou coisas parecidas, focar em três metas ou pouco mais que isso e tocar o futebol do São Paulo com mãos mais firmes. Raí sabe como funciona um time competitivo. Precisa beber da água que viu correr quando era camisa 10, ao lado de Telê Santana. É preciso descomplicar. É preciso também tomar decisões duras em prol do elenco, do trabalho e de uma ideia de conduta, mesmo que para isso tenha de abrir mão de jogadores.

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