Renato Gaúcho é demitido do Grêmio enquanto se recupera isolado da covid-19

Treinador não estava à frente do time nas partidas contra o Del Valle, mas responde pelo fracasso gremista na pré-Libertadores; há um mês ele anunciou a renovação de contrato

Robson Morelli

15 de abril de 2021 | 16h35

Vão falar que ele saiu de comum acordo e que sua demissão foi melhor para as duas partes, treinador e clube. É sempre assim. Não deve ter multa pelo sentimento que rola entre os dois lados. Faz um mês que Renato Gaúcho e o presidente Romildo Bolzan Jr. anunciaram numa parceria por mais uma temporada, com propostas de usar a base, de ter poucas contratações ou apenas reforços pontuais.

Foto: Estadão

Era de comum acordo que o técnico e o líder do clube decidiram isso. Ele estava no Grêmio em seu terceiro ciclo. Ganhou campeonatos e uma estátua. Ficou por quatro anos e sempre vendeu o time muito maior do que ele era. Os jogadores sabiam disso. As declarações de Renato só colocavam mais peso nas costas dos atletas. Enquanto ganhava, o fardo era suportável. Quando começou a enroscar, não dava mais para carregar.

O fracasso diante do Del Valle foi o motivador da demissão. Ficar fora da fase de grupo da Libertadores pesou para a diretoria gremista. Perde prestígio e dinheiro. O presidente queria ficar com Renato, mas não conseguiu convencer seus pares disso. Renato está de cama. Fosse numa empresa séria, dava processo. Ele não esteve à frente do time nas duas partidas diante do Del Valle. Pegou covid-19 e se recuperava ao lado da filha. Mesmo assim, foi demitido. Não havia mais confiança nele.

A bem da verdade é que Renato Gaúcho estava desgastado no clube depois de quatro temporadas. Normal. Comandava o Grêmio desde 2016. Os jogadores já não rendem mais o que rendiam. Não haverá grandes mudanças. A base, como qualquer base, é uma aposta. Ora dá certo, ora falta experiência. Renato é caro. Seu ciclo terminou na temporada passada e ele não percebeu. Deveria ter saído antes de começar o 2021 esportivo. Não havia interessados. No Rio, sua praça, todos estavam com treinadores contratados. Dois times estão na Segundona, Botafogo e Vasco. Ele não se sujeitaria. Não o Renato Gaúcho.

É capaz de dar um tempo e esperar pelo Brasileirão. Se o Brasil não mudar de um mês para o outro, e não vai mudar, Renato sabe que aparecerá trabalho, se ele quiser. Pode muito bem parar por um ano e descansar. Estudar ele não vai, não é disso também. Mas pode tocar a vida pensando somente em 2022. Vai fazer sombra para muitos treinadores empregados. Porto Alegre e o Rio sempre foram suas praias. Mas o Brasil está à sua disposição. Seu trabalho é bom. Ele fala muito, mas sempre foi um provocador. Quem o contratar, leva tudo. Não descarto um passo para a Europa, em times de segundo escalação. Japão? Mundo Árabe? Mais difícil. Mas pode acontecer.

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