Renegociação da dívida dos clubes passa pela Câmara dos Deputados

Medida, que prevê pagamento dos R$ 3,7 bilhões em 240 meses, precisa ter assinatura da presidente Dilma

Robson Morelli

19 de dezembro de 2014 | 17h25

Parece uma afronta o projeto do deputado Jovair Arantes (PTB-GO) para que os clubes de futebol renegociem suas dívidas com a União. O político, com ligação direta no Atlético-GO, já convenceu seus colegas da Câmara dos Deputados a aprovar a medida, que já está a caminho do Senado e depois para a mesa da presidente Dilma Rousseff.

Se passar por todas as barreiras, os clubes terão o que comemorar, mesmo aqueles que nada ganharam na temporada ou até mesmo aqueles que deixaram de pagar seus jogadores e honrar alguns de seus compromissos durante o ano. Como se sabe, há muitos nessa condição, que vendem parte do almoço para salvar o jantar. Haverá isenção de multas (70%) e juros (30%) e 240 meses para saltar o que se deve. Renegociar não significa começar a pagar, que isso fique bem claro. Essas mesmas dívidas, talvez mais baixas, já foram negociadas antes e a União continua a não ver um único real.

A única explicação para ajudar tanto os clubes é o interesse em colocar as mãos nos R$ 3,7 bilhões que a União deveria receber do futebol em seus mais de 100 anos de existência. É muito dinheiro para deixar pra lá. Então, imagino que o nobre colega deputado deva estar pensando em ajudar o País a fortalecer sua conta corrente. Não há outra explicação.

A Globo, dona dos direitos de transmissão das partidas, adianta há anos, em média, R$ 50 milhões para os clubes por temporada. Os mais populares, como Flamengo e Corinthians, recebem R$ 120 milhões. É muito dinheiro. Há ainda bilheteria, arrecadação com os novos estádios, venda de camisas, patrocinadores… Não entra na minha cabeça, portanto, a total falta de interesse dos presidentes de pagar mensalmente uma prestação de suas contas com o Governo. Não pagam, continuam gastando o que não têm e depois deixam seus cargos na maior cara de pau como se tivessem feito a melhor gestão do ano. E o sucessor geralmente faz a mesma coisa e o futebol brasileiro está nessa há décadas.

O movimento do Bom Senso, que visa colocar um pouco mais de ordem no futebol nacional, prega o contrário da medida. Seus representantes queriam que os clubes fossem mais responsáveis com suas contas, de modo a sofrer punições severas em caso, por exemplo, de atraso nos salários dos jogadores.  A Globo promete parar de adiantar suas cotas. Há quem diga que vai pagar menos porque anda recebendo um produto de baixa qualidade. Se isso de fato ocorrer, os times do País terão de abrir mão de seus principais jogadores, reduzir suas folhas de pagamento e, mais uma vez, empurrar com a barriga suas dívidas, mesmo renegociadas.

E assim as temporadas no futebol começam e recomeçam.

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