Jô deu sim um soco em Diego Costa no clássico do Morumbi e deverá ser punido

Atacante acertou jogador rival pelas costas, na maior covardia; se o juiz não viu nem o VAR, o tribunal esportivo pode fazer justiça ao lance

Robson Morelli

31 de agosto de 2020 | 16h20

Lá atrás, o VAR gerou muita discussão, dividindo opiniões quanto ao seu uso. Havia o grupo dos que defendiam que a tecnologia ia tirar a discussão do futebol e o time dos que achavam que ele traria justiça para dentro de campo, um ambiente, diga-se, dos mais sujos. Venceu a turma que estava com a tecnologia. Venceu? Porque o que se vê atualmente é um monte de injustiças e decisões equivocadas mesmo com as imagens de vídeo. Gols ainda são anulados por decisões subjetivas, que acabam enterrando aquela recomendação da própria Fifa de pró-gol em caso de dúvida. O VAR no Brasil enferrujou. Assim como a coragem dos homens do apito. Nenhum deles viu, ou não quis ver, o soco de Jô em Diego Costa no clássico entre São Paulo e Corinthians no Morumbi.

Foi um soco pelas costas, covarde, portanto! O atacante corintiano deveria ter sido expulso. Não foi. O árbitro de campo não viu nada (!!???). O VAR também não se ateve ao lance (!!!???). Ora! A turma da cabine não está ali para isso, com todas as suas câmeras? Não viu nem quis ver. Poderia ter chamado o lance e observado. Tivesse feito isso, expulsaria Jô.

Revi as imagens. Não há dúvidas da agressão. Então para que serve o VAR? Se ninguém viu nada, existe ainda a possibilidade de o tribunal de justiça desportiva reparar o erro da arbitragem, analisando as imagens e punindo o jogador mesmo depois do jogo. Não deveria ser assim. Mas se é para ser justo, anulando gol porque um fio de cabelo do atacante estava à frente do marcador ou numa decisão subjetiva, então Jô terá de ser punido.

O mesmo vale para o goleiro Gatito, do Botafogo, que fez o que muitos queriam fazer: chutou a cabine do VAR e mandou tudo pelos ares, antes de o monitor cair no chão. Não pode. Vai ser punido. E pode pegar gancho de até seis meses. Merecido. Se é para moralizar, então que seja. Se não, acaba com o VAR. De qualquer forma, não dá mais para ter VAR, mas a arbitragem continuar deixando o estádio de camburão.

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