Rogério Ceni e sua trágica última temporada

Robson Morelli

14 de outubro de 2013 | 13h17

A sina de Rogério Ceni nesta temporada do Campeonato Brasileiro, em princípio sua última da carreira, parece reservar a este grande goleiro o que pode haver de pior no futebol: o fracasso nas horas decisivas, naqueles momentos em que uma nação confia em seu trabalho e você nega fogo. Tem sido assim para Ceni nas partidas do São Paulo no Brasileirão, como foi neste domingo no pênalti errado que poderia ter dado a vitória ao seu time diante do Corinthians e, com isso, uma sobrevida mais tranquila na semana. Aos 43 minutos, Rogério Ceni fracassou. Não importa ressaltar aqui todos os méritos do goleiro corintiano Cássio, porque erra quem cobra, no caso Ceni.

Foi sua quarta tentativa sem sucesso. Logo ele, o rei das bolas paradas, o melhor batedor de falta do Brasil, se não nesse momento, ele já foi considerado o tal anteriormente, um símbolo vivo do São Paulo nas últimas duas décadas… Ceni paga por uma decisão errada de prolongar sua carreira mais do que deveria. Analisou todas as variáveis e chegou à conclusão de que daria para ele. Errou. Ou sozinho ou com seus pares, que certamente foram consultados.

E agora paga por atuações lastimáveis, erros grosseiros e certamente, exigente que sempre foi, com o pior dos sentimentos: o da culpa. Culpa por não conseguir ajudar o São Paulo a sair do buraco ou a sair com mais facilidade. Culpa se o São Paulo for rebaixado – o time ainda não está livre disso. Culpa também por não conseguir corresponder ao que se espera dele. Se Ceni pegou a bola para cobrar o pênalti, o torcedor esperava, como sempre esperou, que ele fosse marcar o gol.

O futebol faz mitos e os derruba com a mesma facilidade. E certamente Rogério Ceni já teria caído em desgraça não fosse ele Rogério Ceni.

UM DIA VOU FALAR ISSO PARA ELE
Essa é para Muricy Ramalho, técnico do São Paulo
“A falta de confiança de Ceni e a pressão que ele vive, sobretudo ele, para ajudar o São Paulo o têm atrapalhado nas cobranças de pênaltis. Cabe ao treinador escolher e treinar outro.”

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