Rogério Ceni não abre mão de receber todos os seus direitos trabalhistas do Flamengo

Treinador tem rescisão estimada de R$ 3 milhões, que deve ser paga pelo clube do Rio em 30 dias ou antes

Robson Morelli

14 de julho de 2021 | 10h00

Quando assinou contrato com o Flamengo, o técnico Rogério Ceni e o clube do Rio combinaram uma multa rescisória na casa dos R$ 2 milhões. O antecessor espanhol Domènec tinha multa de R$ 12 milhões. Multa rescisória é uma ‘garantia’ que os lados assinam para que nenhum dos dois rompa o acordo. Nesta semana, o Flamengo tomou a decisão de demitir o treinador.

Foto: Flamengo

Isso implica na quebra do contrato e na obrigatoriedade de pagar a multa, além da rescisão dos meses restantes. Há uma parte na carteira de trabalho (CLT) e outra de direitos de imagens. Ceni não abre mão de receber o que lhe pertence por lei, conforme noticiou o jornal Extra. Está certo. Há muitos acertos nesta questão e muitos clubes deixam de honrar com seus compromissos. Maus pagadores. Atletas, quando precisam, entraram na Justiça para receber seu dinheiro.

Alguns outros, para não se queimar, preferem deixar o tempo passar e ir recebendo o dinheiro em parcelas. Há muitas camaradagens nisso. Para os clubes, é sempre uma dívida a mais. São os passivos trabalhistas. Ceni deve receber R$ 3 milhões, entre sua rescisão de contrato até dezembro deste ano e mais a multa estipulada. Quando as partes rompem, naquela conversa dura, entram em cena os agentes jurídicos. Os advogados. São eles que tratam do assunto a partir da saída do profissional. Ceni já deve estar em São Paulo, onde sempre viveu, à espera de um novo trabalho. Ele não é de esperar tanto. Sabe que precisa estar à beira do gramado para não cair no esquecimento como aconteceu alguns outros técnicos novos.

Ocorre que ele é de escolher trabalho. Não vai aceitar qualquer um que não entenda ter boas condições de realizar suas ideias no futebol. Ele também não volta para o Fortaleza, como se deu em outras situações. Ceni está certo de não facilitar a vida do Flamengo. O que é combinado, é combinado. O futebol deixa passar muito dessas condições com receio de represálias, de confusão pública e de conversas tortas. Os clubes não são bons pagadores, nunca foram. Se puderem empurrar as dívidas para debaixo do tapete, empurram.

O fato é que antes mesmo de Rogério Ceni limpar seu armário no vestiário, o Flamengo já estava contratando Renato Gaúcho. Estima-se que Renato ganhe entre R$ 800 mil e R$ 1 milhão por mês, com alguns gatilhos ou premiações em caso de conquistas. Então, para os representantes de Ceni, a diretoria rubro-negra tem dinheiro para pagá-lo. Nos principais clubes do Brasil, as cifras são sempre altíssimas.

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