Rogério Ceni não vai renovar contrato com o Fortaleza para ficar até o fim do Brasileirão, em fevereiro

Treinador vai trabalhar dois meses sem vínculo oficial ou com acordo atual apenas esticado, uma vez que seu acerto termina em dezembro

Robson Morelli

22 de outubro de 2020 | 11h30

Rogério Ceni vai trabalhar dois meses do ano que vem sem contrato oficial com o Fortaleza, ou com o atual vínculo, que acaba em dezembro, esticado por mais 60 dias, até o fim de fevereiro. Ele acaba de ser bicampeão Estadual no Ceará. Já são quatro títulos importantes em uma carreira recém-começada. Além dos regionais, sob seu comando o Fortaleza foi campeão da Copa do Nordeste e da Série B do Brasileiro. Rogério Ceni é muito bem quisto no elenco do clube e também pelos torcedores.

Mas vai esperar o fim da temporada para saber qual rumo tomar na carreira. Ele quer dar passos certos e sólidos no futebol, e não se deixar levar por propostas mais saborosas, mas com menos garantias, como ocorreu com o Cruzeiro. Não é segredo de ninguém o desejo de o São Paulo tê-lo novamente no comando da equipe, hoje dirigida por Fernando Diniz. É um passo que depende das eleições no Morumbi marcadas para o fim do ano e do respeito que o clube terá com o atual comandante.

Rogério amadureceu. Seu time é bem treinado, tem opções e variações de jogadas e joga para frente, sempre em busca dos gols e das vitórias. Ao lado de Renato Gaúcho, do Grêmio, é o melhor treinador brasileiro trabalhando no País. Ele sabe de sua importância á beira do gramado, como sempre soube quando era goleiro, e vislumbra como qualquer profissional saltos mais desafiadores.

Seus contratos não são longos e por isso ele consegue cumpri-los. Ganha respeito com isso. Ele já trabalhou no São Paulo e Cruzeiro, mas não se saiu bem. Foi demitido de ambos. Estava mais cru do que agora. Certamente ele teria tomado caminhos diferentes nessas equipes com a maturidade atual no cargo. Seu nome já é sondado por equipes maiores do futebol brasileiro. Palmeiras e Corinthians andaram falando dele. Talvez seja cedo para isso dado. Ele deve receber ofertas após a temporada. Pretende ouvir todas e decidir por uma. Quer que sua carreira cresça de forma gradual.

É muito difícil ele permanecer no Fortaleza. Ceni é motivado a desafios e ele pode entender que sua missão no clube cearense já esteja realizada.

À beira do campo, ele se agita. Não senta no banco um só instante. Joga junto com os jogadores. Deixa as partidas suado em bicas. Vai e volta na área técnica. Não desanima, embora faça algumas caretas com jogadas erradas. Fala ao pé do ouvido quando faz trocas. Orienta. Mas não pede nada do que não seja treinado. Rogério é desses treinadores que acreditam nos treinamentos. Ele cresceu assim no São Paulo, onde tantas vezes treinou sozinho no CT da Barra Funda. Aprendeu a cobrar faltas porque, além do talento, treinou bastante, repetidas vezes. Acredita nisso.

Ganhar o faz relevante. Mas já seria pelo trabalho feito. Anda meio fora de forma dentro de roupas mais elegantes à beira do gramado do que dos tradicionais agasalhos do clube. Quando coloca a mão nos bolsos é porque o Fortaleza está seguro, indo bem no jogo. Rogério tem um caminho ainda a percorrer, mas sabe exatamente o que quer da carreira. Sabe para onde olhar e onde vai parar.

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