Ronaldo deu ao Palmeiras o 17º título Paulista e deixou o Corinthians na fila por mais 1 ano, o 20º

Ronaldo deu ao Palmeiras o 17º título Paulista e deixou o Corinthians na fila por mais 1 ano, o 20º

Foi na temporada de 1974, quando marcou o gol da vitória de 1 a 0 sobre o rival num Morumbi com mais de 100 mil pessoas, a maioria de corintianos. Atacante morre em Minas Gerais aos 73 anos

Robson Morelli

09 de junho de 2020 | 14h00

Estava certa vez no Nordeste atrás da seleção brasileira num jogo de Eliminatórias de Copa, se não me falha a memória, para a Copa de 2002, e em Fortaleza, quando Zico se sentou ao meu lado no saguão do hotel. Ele já era ex-jogador e estava lá por causa de algum trabalho na TV. Zico sempre foi um cara do bem. Talvez por isso nunca se envolveu com o futebol do Flamengo, com cargos oficiais. Ele entrou pelo corredor sem ser notado e se sentou com os jornalistas. Disse que se fizesse o mesmo caminho de metros na década de 80, quando era o camisa 10 do Flamengo e da seleção, aquele saguão viraria um inferno. Disse isso para nos lembrar que o futebol brasileiro tem por defeito esquecer dos seus ídolos.

Nesta terça, o mesmo futebol perde Ronaldo, nome bastante sugestivo para as mais novas gerações, atacante dos dois grandes times de Minas Gerais, Cruzeiro e Atlético-MG, antes de se transferir para o Palmeiras. Foi no time paulista que Ronaldo vivei parte de sua história no futebol. Talvez gerações mais novas não saibam quem ele é. Faz parte. Temos milhares de jogadores em mais de 100 anos de futebol. Não dá para guardar todos na memória. Talvez esse Ronaldo tenha sido menor do que seu feito com a camisa do Palmeiras. Ele era reserva de César Maluco na década de 70.

Seu legado no Palmeiras, no entanto, é eterno, e por dois motivos. Foi dele o gol da vitória de 1 a 0 sobre o Corinthians na final do Paulistão de 1974. Gol único que deu ao time da Academia o seu 17º Estadual. Era primo de Tostão, o atacante do Brasil na Copa do Mundo de 1970. Seu gol fez o Morumbi explodir de alegria. Na verdade, a parte menor do estádio, porque naquele dia, com pouco mais de 100 mil torcedores, a maioria torcia para o Corinthians. Ronaldo entrou no lugar de César e deu o caneco para seu time.

O outro feito diz respeito à rivalidade entre as duas equipes, Palmeiras e Corinthians. Rivalidade importante para os dois lados, que torna as conquistas mais saborosas e épicas. Ronaldo entrou para essa história ao impedir que o Corinthians quebrasse jejum de conquistas e ficasse mais um ano na filha, o 20º. Isso, para os palmeirenses, não tem preço. Como não tem tantos outros momentos históricos, do passado ou presente, de vitórias corintianas diante do Palmeiras. O futebol depende disso, dessas histórias, dessa rivalidade, desses times e desses jogadores.

Infelizmente, o futebol brasileiro perde Ronaldo, aos 73 anos. Mas seu feito será lembrado para sempre.

Tudo o que sabemos sobre:

futebolpalmeirasRonaldoFPFCorinthians

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: