Saída de Felipão do Palmeiras envolve falta de comprometimento de jogadores

Diretoria de futebol deveria seguir o mesmo caminho do treinador, todos ganham juntos e todos erram juntos. Ou não?

Robson Morelli

02 de setembro de 2019 | 20h40

Fim de linha… O acerto é coletivo. O erro também deveria ser. A saída de Felipão do Palmeiras nesta segunda-feira tem muito a ver com a falta de envolvimento de alguns jogadores, que não correram como deveriam nas últimas partidas ou desde que o elenco voltou após parada da Copa América. Felipão perdeu a mão do time, isso é verdade, mas ele não conseguiu admitir isso com todas as letras a não ser após o passeio contra o Flamengo. Passei de futebol. Bola.

Traído… Ali, talvez, ele tenha sentido que estava sozinho, que foi deixado na mão, traído. Quando jogadores técnicos e bons de bola deixam de jogar todos ao mesmo tempo, alguma coisa tem. E foi exatamente isso o que aconteceu com o Palmeiras. Isso custou a queda na Libertadores e na tabela do Brasileirão. O time é quinto.

Quem mandou… Quando Felipão confessa que precisa mexer em tudo, em atletas, posições e esquema de jogo, admite a “bagunça”. Dá o recado. A pergunta que se faz é quem deu a ordem para a demissão. Foi Alexandre Mattos, que três dias antes batia no peito e dizia que nada mudaria, que o Palmeiras estava no caminho certo…? Foi o presidente Maurício Galiotte, que resolveu tomar as rédeas do futebol e decidir ele o rumo do clube? Ele e Felipão teriam discutido feio após o jogo contra o Grêmio. Ou foi a patrocinadora, que se envolve cada vez mais nas coisas do clube e tem deixado muitos conselheiros de mais de 50 anos de Palmeiras insatisfeitos com os rumos das coisas?

Hora de mudar mais… É preciso saber ainda se o Palmeiras vai mexer na sua estrutura de futebol. Há muita gente do clube descontente com os negócios feitos por Mattos e seus pares no departamento. Já que permitiu a saída do treinador, é hora de renovar outros setores tidos como viciados no futebol. O Palmeiras precisa de boas cabeças, de limites para alguns profissionais, de reconhecimento de sua gente, de não envolvimento com a torcida organizada… O Palmeiras fez 105 anos.Portanto, não começou ontem. Tem história, já viveu outras parcerias milionárias e não pode se tornar refém de seus próprios mandos. Ouço esse tipo de argumento dentro do próprio clube.

Não deixar o ciclo acabar… Demitir Felipão, certo ou errado, abre brecha para repensar o futebol do Palmeiras a fim de continuar seu ciclo vencedor, que começou em 2015. Tudo se desgasta com o tempo e tudo precisa de renovação constante, sobretudo no futebol, construído com muitos vícios e mandos nada transparentes. Fechar o clube nesta semana para todos em nome de segurança é uma dessas determinações que não cabem mais no futebol, pelo menos não no futebol brasileiro.

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