Sampaoli nunca deixou de ser um treinador ‘aposta’ no Brasil, como é por onde ele passa

Argentino não esquenta banco, não dá tréguas a dirigentes, é facilmente seduzido e se movimenta no mercado de acordo com suas vontades

Robson Morelli

09 de março de 2021 | 11h28

Jorge Sampaoli foi ovacionado no comando do Santos e havia muita expectativa em relação ao seu trabalho no Atlético-MG, assim como foi visto com bons olhos quando assumiu a seleção argentina na Copa do Mundo de 2018. Antes disso, ele esteve no Sevilla e no Chile. Exceto pela seleção chilena, onde ficou mais tempo, todos os outros trabalhos de Sampaoli foram rapidinhos, sem esquentar o banco e com sobressaltos.

Foto: Divulgação Atlético-MG

De todos esses times e seleções, o treinador teve boas passagens no Chile e na Vila Belmiro, com ressalvas. Quando esteve no Santos, mesmo a despeito de ter “adorado” a cidade, andado de bicicleta nela e jogado futevôlei na praia, seu trabalho nunca deixou ninguém em paz. A diretoria era questionada regularmente com pedidos de reforços, o elenco vivia pressionado e havia muitas dúvidas se ele cumpriria o contrato de dois anos. Ficou um ano apenas, após levar o time ao segundo posto no Brasileirão, o que foi uma boa campanha.

O Santos, em campo, era muito bom, ágil, jogava sem medo de perder ou de ser goleado. Mais alegrava seu torcedor do que aborrecia. Ele fez um bom trabalho lá. Foi precursor de um estilo mais aguerrido e jogo para frente, quase que na contramão de alguns times rivais. Era um ano em que se falou muito em “dar a bola ao adversário” como forma de jogar. Sampaoli agradecia. Porque seu time jogava com a bola. Mas não demorou para sua relação com a diretoria azedar. E ele pular fora, rompendo seu contrato e “negociando” multa rescisória de R$ 10 milhões.

No Atlético-MG, informações vindas de Minas davam conta de que Sampaoli nunca foi feliz em Belo Horizonte, e estava sempre “de saída”. Peitou dirigentes e patrocinadores. Pediu reforços. Neste caso, no entanto, não fez o time jogar como se esperava. Caiu de produção juntamente com a equipe. O Atlético-MG não foi nem de longe o time que se imaginava, brigando pelo título brasileiro. Há quem diga em Minas que ele foi um fiasco, como foi na seleção argentina.

Ele assumiu o time nacional em 2017 para disputar a Copa do Mundo de 2018. Não deu certo. Brigou com o elenco, não falava com Messi e voltou mais cedo para casa. Na fase de grupos, a Argentina empatou com a Islândia e perdeu da Croácia antes de ganhar da Nigéria e se classificar. Depois, pegou a França e apanhou de 4 a 3. Estava eliminada e os jogadores nem se despediram dele.

Sampaoli não é de formar grupos por muito tempo. Seus últimos contratos foram todos curtos, de um ano. Ele é intenso o tempo todo. Isso desgasta. Não houve comoção em suas rescisões. Ele é um treinador de aposta permanente. É facilmente seduzido. Trocou o Brasil pela França. O Atlético-MG pelo Olympique de Marselha. E leva com ele toda essa agitação e impaciência de estar no lugar que está.

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